12/10/2017

Sempre Avante!

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

Quem me acompanha sabe que, para 2017, fiz uma única promessa: colocar a minha vida em ordem! E mais: sabem que tenho realmente me dedicado à esta execução. Mas por que estou comentando a respeito?

Porque estamos no último trimestre do ano e eu continuo a pleno vapor, além de total foco e dedicação, para atingir o objetivo. É fato que não o atingirei de forma integral pois é inviável. Entretanto, terei dado largos passos em tal direção.

E tudo se intensificou à partir de uma pesquisa sobre organização que fiz no Google. Foi assim que descobri a respeito da carreira de personal organizer e também do método GTD. Pode não parecer, mas no meu caso, ambas possuem relação. Aliás, enquanto não consigo viabilizar financeiramente o curso em São Paulo para que eu possa ter condições satisfatórias de iniciar profissionalmente na área, vou me preparando e me organizando a fim de criar as condições mais adequadas para quando tal momento chegar.

Então, após ter lido "A Arte de Fazer Acontecer", do David Allen, mergulhei de cabeça na leitura de "Vida Organizada", da Thais Godinho. Ela é a principal discípula de Allen no Brasil e seu livro traz dicas valiosíssimas que simplificam e auxiliam na implementação do método GTD. A partir de "Vida Organizada" passei a desconstruir o monstro que havia autofabricado com a leitura de "A Arte de Fazer Acontecer". 

Godinho recomenda que nos livremos das notificações pois as mesmas nos distraem e nos fazem perder o foco. Por isto, decidi limitar meu acesso ao Facebook e o uso do WhatsApp. Lamentavelmente, uma suposta amiga fez troço de tal iniciativa. Com sua reincidência, pois há questão de apenas alguns dias, ela fizera outro comentário desagradável em relação à minha pessoa sem o menor sentido, eu a puni com o cancelamento da "amizade" e o imediato bloqueio dela.

Certamente haverá muito trabalho até a implementação do método GTD de forma eficaz em minha vida - estima-se que o prazo total seja de até dois anos -, mas, além de ser necessário, é uma forma de eu definir prioridades e manter o foco e a determinação. Aliás, sempre tive muita dificuldade com relação a estes três pequenos itens. Por conseguinte, a minha vida sempre foi muito confusa e pouco produtividade.

A grande notícia é que eu decidi mudar! E mais: nada, nem ninguém, será capaz de me fazer desviar dos meus objetivos!

De qualquer forma, ótimos ventos sopram em minha direção!

Ah, e claro: vêm boas novidades por aí! Portanto, aguardem!

Beijocas.

29/09/2017

NLucon, Dentista, ATEA e Depilação a Laser

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria de compartilhar com vocês algumas novidades muito interessantes dos últimos dias. 

A primeira delas é muito singela. Eu fui contemplada com um kit de chimarrão da Padaria Brasil por conta das comemorações de 20 de Setembro (feriado estadual alusivo à Revolução Farroupilha - movimento separatista do século XIX, mais precisamente entre 1835 e 1845). O kit era composto por cuia, erva-mate e chá de camomila. É lógico que fiquei muito feliz, apesar da minha reação de incredulidade em um primeiro momento.

Ainda na segunda-feira, o jornalista Neto Lucon entrou em contato comigo para saber se eu ainda estava disposta em colaborar com o sítio administrado por ele, o NLucon. Logicamente, que eu aceitei na hora sem pestanejar. Dois dias depois, eu redigi e enviei minha primeira matéria para o sítio. O mais significativo foi que tratou-se de minha primeira matéria publicada em mais de 11 anos! Aos interessados em lê-la, basta clicar aqui.

Já na quarta, foi a vez de eu ir ao dentista para descobrir o tamanho do estrago causado pela minha negligência em relação a um dente que quebrou no início do ano! Resumo da ópera: cerca de um ano e meio dividido em cinco etapas! Porém, antes de começar o tratamento, será preciso eu consultar com a minha neurologista para obter a autorização dela em função da necessidade do uso de antibióticos no tratamento. Por isto, já agendei uma consulta com ela.

Também na noite de quarta eu tomei uma decisão muito importante e que fará com que eu evolua ainda mais: encaminhei solicitação de adesão à Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA). Esta manhã, recebi um e-mail confirmando meu ingresso. Logicamente, fiquei muito feliz! Tal associação permite que eu tenha acesso a conteúdo restrito que será muito útil no aperfeiçoamento argumentativo contra os fundamentalistas. 

Vocês devem estar se questionando a razão de decisão tão radical. Bem, a gota d'água foi a decisão do STF liberar o ensino religioso de crença única em escolas públicas. Como guardião da Constituição Federal, o órgão máximo do Judiciário brasileiro jamais poderia ter tomado tal decisão, haja vista que a mesma viola o art. 19, I, que determina que o Estado deve ser laico!

Some-se à isto a atual conjuntura com o avanço do fundamentalismo religioso em situações como a liberação da "cura gay" por um juiz do Distrito Federal; o fechamento da exposição Queermuseu, em Porto Alegre, pelo Cultural Santander, após pressão de um movimento extremista de ultradireita; e à censura, em Jundiaí (SP), à peça "O Evangelho Segundo Jesus: Rainha do Céu", da autora transexual Jo Clifford, na qual Jesus retorna à Terra como travesti. 

Na manhã de ontem, tive a segunda sessão de depilação a laser da "barba", ou do que restou dela, na verdade. Convém salientar que há cinco anos me submeti há sete sessões de depilação com luz pulsada e, desde então, já era uma serragem. Então, já após a primeira sessão com laser, notei uma diferença substancial, pois diminuiu ainda mais. Assim, estou muito curiosa para ver como será quando eu for tirar a "serragem" pela manhã...

À tarde, fui a Porto Alegre ter consulta com a minha psicóloga. E realmente ela tem sido cada vez mais indispensável em minha vida!

Bem, por enquanto, é isto.

Convido vocês a curtirem, comentarem e compartilharem não só este texto, mas também o blog. Obrigada!

💋

13/09/2017

Depilações a laser: mais um passo rumo à CRS

Olá, pessoal, tudo bem?

Esta tarde enfrentei a primeira sessão múltipla de depilações a laser na Espaço Laser que está situada dentro do Bourbon Shopping Novo Hamburgo. Até então, estava fazendo sessões cortesia das axilas. Recentemente, porém, fechei um pacote de 10 sessões de depilação a laser para exterminar em definitivo com o que resta da barba, além de iniciar também nas áreas da virilha, da base do pênis e no ânus. Sim, pessoal, "só" isto...

Vocês devem estar se perguntando se a sessão não foi muito dolorida. Então, esta também era uma preocupação que eu tinha pois sou uma mulher muito sensível à dor. Podem não acreditar, mas a área mais dolorida foi o rosto. Eu me contorcia em cima da maca! Portanto, o rosto foi bem dolorido! Depois, passamos para as axilas, onde já estou acostumada, sendo que não houve maiores problemas.

Na sequência, passamos para a trinca derradeira na parte inferior do corpo. A depiladora me pediu de imediato e, sem a menor cerimônia, para que eu tirasse a calça e a calcinha. Virilha, base do pênis e ânus, pasmem, foram totalmente tranquilas e sem estresse, a tal ponto que conversamos animadamente durante o procedimento.

O bacana é que já tínhamos um bom entrosamento, agora, estamos estabelecendo uma relação mais profunda de completa confiança. Além disso, o profissionalismo dela foi exemplar!

Assim, tudo o que posso dizer é que todo o receio que tinha em relação às sessões de depilação a laser se demonstraram infundadas.

Meu retorno será no dia 28, quando farei a segunda sessão de depilação da barba. Quanto às outras, serão marcadas naquela ocasião.

Convém salientar que, todas estas depilações fazem parte do processo de transição de gênero, visto que integram áreas sensíveis ao mais elevado grau de passabilidade possível. Além disso, as da virilha, base do pênis e ânus são de suma importância para a cirurgia de redesignação sexual, pois caso estas áreas não estejam inteiramente depiladas em definitivo, pode ocorrer infecção interna, visto que, após a remoção da parte cavernosa do pênis, ocorre a inversão da pele. 

Beijocas.

06/09/2017

Livros, GTD, Sucata, Academia e Facebook

Olá, pessoal, tudo bem? 

Quando 2017 começou, eu havia decidido que este seria um ano ainda mais revolucionário do que o ano anterior. E, ao que tudo indica, isto está, de fato, acontecendo. Primeiro é que está sendo extremamente produtivo no que concerne à leitura. Na última sexta-feira, eu iniciei a leitura do sexto livro! Vamos à listinha:

1) CONNELL, Raewyn. Gênero em Termos Reais. nVersos, 2016.
2) MOIRA, Amara. E se eu fosse puta. Hoo, 2016.
3) GOES, Micaela. Santa Ajuda. Globo Estilo, 2017.
4) BEAUVOIR ROVEDA, Atena. Contos Transantropológicos. Ed. Gaúcha, 2017.
5) SCARANZI, Fabiana. Mulheres - Muito Além do Salto Alto. Leya, 2013.

O livro cuja leitura iniciei há pouco mais de uma semana é "A Arte de Fazer Acontecer: O método GTD - Getting Things Done", de David Allen. Trata-se de uma obra de referência no que concerne à organização da vida pessoal. Soube de sua existência ao assistir um vídeo da Thais Godinho em seu canal no You Tube. 

E cada vez estou mais convencida da necessidade de implantar o quanto antes, e com a máxima urgência (com o perdão da redundância), o método GTD. Até porque, se eu ainda tinha alguma dúvida, ela se dissipou após o último ato de heroísmo: cheguei na academia para malhar e descobri que... sim, eu fui para a academia sem os tênis para malhar! Detalhe: ontem à noite eu elaborei um checklist justamente para não esquecer mais nada. Então, o que fiz hoje? Conferi a lista? Fiz o checklist? Não! Então, de que adiantou elaborar o checklist? Aprenda, Luiza! Aprenda!


O dia de ontem, por sua vez, foi alucinante! Em especial, a tarde e a noite. Entretanto, por enquanto, manterei sigilo sobre uma novidade matadora que vem por aí! Prometo, porém, que farei a relevação dentro de exatamente uma semana...

Quanto à hoje, nada de muito emocionante, exceto pelo fato de eu ter levado sucata eletrônica até o campus 1 da Feevale e eu voltei a treinar na academia. E com afinco! Estava com saudade e sentindo muita falta!

Mas tive uma surpresa agradável durante o dia e gostaria de comentar a respeito. Recebi a solicitação de amizade de uma mulher cisgênera em meu Facebook. Depois que aceitei a solicitação, ela me enviou a seguinte mensagem inbox: "Fiz algumas leituras no teu blog e quero acompanhar tuas mensagens e luta".

E este tipo de situação me faz pensar o quão importante é mantê-lo ativo. E eu reconheço que tenho postado pouco por aqui. Contudo, irei me esmerar para mudar isso.

Este será o assunto do meu próximo texto, o qual tratará sobre algumas mudanças de paradigmas derivadas da implementação do método GTD em meu cotidiano.

Beijocas.

19/08/2017

Reaprendendo a me priorizar

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria de poder relatar situações maravilhosas - e eu até teria, como, por exemplo, um passeio que minha mãe e eu fizemos até São Francisco de Paula há duas semanas -, porém, há algumas coisas me incomodando de tal forma que preciso escrever a respeito. E a necessidade de escrever sobre é tão urgente que, para quem está a ler o texto agora, pode não ter se dado conta, mas o estou fazendo entre às 3 e às 4 horas da manhã (horário de Brasília)!

Bom, estou com 40 anos (ainda farei aniversário este ano), totalmente solteira (sem namorado) e sem perspectiva de alterar isto a curto prazo. Para piorar, estou sem qualquer affair, ficante, rolinho ou outro nome que queiram dar. E estou sentindo falta disto!

O fato é que preciso sair mais, me divertir mais e deixar de me estressar tanto. São muitas atividades e compromissos. E eu preciso reaprender a me priorizar. Na verdade, esta fase teve início quando me reconheci como mulher trans, pois, até então, saia com minha então vizinha e frequentávamos diversos locais em São Leopoldo. Foi então que passei a recusar os convites e isolei-me aos finais de semana. E, infelizmente, as coisas continuam assim...

Mas não é apenas isto que me incomoda. Suponhamos que eu encontre um homem interessante em uma festa. Para as mulheres em geral isto não geraria maior inconveniência. Entretanto, no meu caso, seria questão de segurança alertá-lo, desde o princípio, de que sou uma mulher transexual. Logicamente estaria me expondo ao risco de uma rejeição em público, situação que seria inédita para mim.

Entretanto, ainda não acabou... No caso de haver um relacionamento sério com um homem (leia-se namoro), eu teria/tenho apenas uma opção: sexo anal. Sexo vaginal apenas depois da cirurgia de redesignação sexual. E ainda assim ainda haverá um período de recuperação antes que eu possa inaugurar a minha neovagina. Pelo meus cálculos, isto deve ocorrer lá por 2020... Ou seja: entre meus 43 ou 44 anos...

Portanto, para mim, tem sido complicado lidar com tal situação. Ainda mais porque, apesar da terapia hormonal, que interfere negativamente na libido, ela está a mil. Aliás, meu desejo por homens nunca foi tão grande como atualmente!

Por outro lado, eu estou me empoderando e procurando investir em mim na medida do possível. Esta semana, por exemplo, fiz algumas aquisições interessantes na Rabusch como um vestido, uma camisa de cetim, uma pulseira, dois brincos e três cintos, além de ter trocado uma calça e a bolsa por defeitos de fabricação. 

Também fiz o primeiro treinamento para aprender a andar de salto alto de maneira decente a partir de um exercício ensinado pela top model Gianne Albertoni. O treinamento foi exibido no quadro "Dica Albertoni", no programa "Hoje em Dia", da Rede Record, e foi publicado no You Tube, em 24 de junho de 2013. 

Enfim, há muita coisa a fazer, mas sei que hei de chegar por lá porque sou plenamente capaz de atingir meus objetivos. Tudo é apenas uma questão de tempo.

Beijocas.

03/08/2017

Novidades Animadoras

Olá, pessoal, tudo bem?

Antes de mais nada, gostaria de pedir escusas pela minha ausência dos últimos dias. Acontece que foram muito agitados e eu não tive como escrever por mais que eu quisesse. Entre a quarta-feira passada e o domingo, meu sobrinho esteve aproveitando seus derradeiros dias de férias escolares aqui em casa. Apesar de dias intensos, foram bem divertidos!

Na segunda-feira minha mãe e eu fizemos uma viagem por conta da qual passamos o dia fora. O dia seguinte não teve emoções. Ontem, eu fui a Porto Alegre na sede da Igualdade RS onde fui conversar com o advogado da entidade para um movimento do qual participo. Aproveitei o ensejo para participar de uma pesquisa sobre DSTs da Fiocruz com o Ministério da Saúde. O projeto se chama "Divas" e, de acordo com a justificativa e objetivo do estudo, "é conhecer melhor os comportamentos e experiências das Travestis/Mulheres Trans de 12 capitais do Brasil". Ainda de acordo com o documento, "O benefício direto que você pode ter em participar desta pesquisa é ter acesso a testagem para HIV, Sífilis, Hepatite B e C e, se for necessário, ser encaminhada para serviços públicos especializados para receber aconselhamento e tratamento. Outro benefício pessoal desta pesquisa é a possibilidade de utilizar as informações que você e outras participantes nos derem para conhecer melhor a realidade e as necessidade das travestis brasileiras. Estas informações poderão ajudar na elaboração de melhores programas de saúde e apoio às travestis do Brasil". Um aspecto bem interessante desta pesquisa é que há um incentivo financeiro de R$ 30,00. Além disto, você tem direito a encaminhar três outras participantes, sendo que para cada uma você também receberá R$ 30,00. Naturalmente, cada participante também será contemplada com o valor e poderá levar outras três. A pesquisa permanecerá na sede da Igualdade RS até o final deste mês.


Quanto ao dia de hoje, o grande destaque foi ter recebido o consentimento para agendar a avaliação na academia. Ato contínuo telefonei para a academia que frequentava e já marquei a avaliação para amanhã, às 17:30.

Por falar em amanhã, terei, pelo menos, mais dois compromissos bacanas: manicure e pedicure pela manhã; e a gravação de um programa de televisão sobre casamento homoafetivo na Vale TV.

Entretanto, aguardem, pois, virão mais novidades boas por aí! Infelizmente, no momento, não posso dar maiores detalhes...

Beijocas.

28/07/2017

Seios, Sutiã e Silicone (+ OAB NH)

Olá, pessoal! Tudo bem?

No Natal do ano passado, aboliu o uso de sutiã e no início deste ano escrevi o texto "Meus Seios, Minhas Regras". O que eu não comentei é que tempos depois eu voltei a usar o acessório, pois não estava satisfeita o suficiente com o tamanho dos meus seios. Ou seja: a necessidade de usá-lo em função da autoestima falou mais alto.

Porém, ao que parece, estou em lua-de-mel com meus seios. Assim, decidi abolir novamente o uso de sutiãs. E continuo me sentindo magnífica! A sensação de liberdade e empoderamento é muito grande. E isto está me deixando ainda mais satisfeita!

Estou abrindo exceções para o uso do sutiã como com camisetas e blusas brancas e em locais mais formais, como, por exemplo, a subseção de Novo Hamburgo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), onde estive na noite da última terça-feira.


Aliás, gostaria de comentar a respeito da minha participação neste evento. O tema era a judicialização da saúde através do ingresso de ações contra Estados e Municípios por parte de pacientes que precisam de medicações de uso contínuo mas que não têm condições financeiras para adquiri-los nas farmácias comerciais e qual é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relação à questão.


E eu tinha uma missão: provocar discussão a respeito do fornecimento dos medicamento das terapias hormonais pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) para pacientes do Programa de Transtorno de Identidade de Gênero (Protig). Durante o evento, soube que o caso dos nossos medicamentos são considerados off-label, ou seja, o uso deles, para nós, é desvirtuado ao indicado nas bulas. E isto pode vir a ser um elemento complicador para aquelas pessoas que desejem ingressar com uma ação contra o hospital para que se retira por lá mesmo, uma vez que o Judiciário poderá contestar a eficácia da medicação em nossos corpos - a qual é mais do que visível.


Porém, o mais importante foi eu ter me levantado e ficado de frente para a plateia e de lado para a mesa dos trabalhos ao fazer o questionamento. Naturalmente, estava vestida de forma adequada com camisa social, calça jeans e scarpin. Ou seja: não fiquei devendo em absolutamente nada para advogada alguma que estava presente por lá. Convém ressaltar que a esmagadora maioria também usava sapato de salto alto. E eu não só encarei a todos os presentes, como me identifiquei de forma a contextualizar a razão da pergunta. E salientei que muitas pessoas ali presentes possivelmente jamais haviam tido a oportunidade de estar frente a frente com uma pessoa transexual. Quanto a resposta, ninguém tinha conhecimento a respeito - o que era de se esperar. Mas só o fato de ter provocado tal discussão me deixou feliz e satisfeita.


E mais: saí de lá de cabeça erguida e com a autoestima intacta!


Logicamente que assim que cheguei em casa eu me livrei do sutiã novamente.


Agora, o mais extraordinário é que, se fosse para eu decidir se eu gostaria de pôr silicone, neste momento, eu responderia que não, pois, o caso de amor que estou com os meus seios é fantástico! Sendo assim, não haveria razão para que eu turbinasse os meus seios, se estou satisfeita com eles naturais.


Beijocas.

20/07/2017

CRS: Mais do que Estética, Uma Necessidade

Olá, pessoal, tudo bem?

Bom, eu gostaria de discorrer um pouco a respeito dos sentimentos que possuo em relação à Cirurgia de Redesignação Sexual (CRS), popularmente conhecida como "cirurgia de 'mudança' de sexo".

Agora em julho, completo 10 meses como integrante do grupo do Programa de Transtorno de Identidade de Gênero (Protig) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Naturalmente, os comentários que tecerei serão pessoais e não possuem relação com as sessões, mas sim com a vivência comigo mesma.

Vocês devem estar se questionando porque decidi fazer tal avaliação agora e não ao completar o primeiro ano de grupo. A razão é simples: ontem, o link "Neste dia" do Facebook me recordou acerca de uma imagem publicada há três anos. Mais especificamente esta aqui:

Legenda mais que dispensável...





Apesar de este sentimento sempre ter me acompanhado a vida toda, cada dia que passa, tenho a percepção de que o mesmo se reforça e fica cada vez mais sólido. Há muito deixou de ser uma questão estética. Trata-se de uma necessidade decorrente de um sofrimento indescritível para pessoas que não são mulheres transexuais ou travestis.



Com toda a certeza a CRS é uma necessidade para mim! Não apenas pelos aspectos sexuais e estéticos mas também pelo fato de que eu preciso estar confortável. E o meu conforto não será completo sem a CRS!

É horrível ter de ficar aquendando a neca toda hora. É um pesadelo inenarrável se olhar no espelho nua ao sair do banho. É uma hecatombe sem precedentes pensar no que fazer com aquela parte do teu corpo que não te pertence durante uma relação sexual. E sinto, muitas vezes, uma dor desconfortável ao cruzar as pernas da mesma forma que uma mulher cisgênera faz.

São sofrimentos recorrentes que desgastam a pessoa psicologicamente e afetam a autoestima. Independente da orientação sexual, todas aquelas mulheres transexuais e travestis que desejam se submeter à CRS deveriam ter este direito básico, repito e ressalto: DIREITO BÁSICO, garantido não apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mas por intermédio de exigências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Burocracias precisam ser eliminadas. O acesso às cirurgias precisa ser facilitado. A questão, entretanto, é sempre a mesma: pessoas cisgêneras decidem a respeito do corpo das pessoas transgêneras. E qual o problema disto? O problema é que pessoas cisgêneras não têm condições de atingir o grau de empatia necessário - e por "empatia", entenda-se colocar no lugar das pessoas transgêneras - justamente por não serem pessoas transgêneras. Pessoas transgêneras possuem vidas singulares. Pessoas transgêneras tem vivências singulares. Pessoas transgêneras possuem experiências singulares. Pessoas transgêneras são singulares. Pessoas cisgêneras jamais serão pessoas transgêneras. 

Vocês devem estar querendo me solicitar um à parte devido à última afirmação, mas permitam que eu me antecipe: as pessoas transgêneras, ainda que tenham tido uma longa "vida" como "cisgênera", jamais foram de fato cisgêneras. Isto porque sempre tivemos um enorme desconforto conosco. Então, não, uma pessoa autenticamente cisgênera não faz a mais remota ideia de como de fato se sente uma pessoa transgênera. Tudo o que for dito em sentido diametralmente oposto é apenas um amontanhado de balelas.

É fato que faltam um ano e dois meses para eu apta para a cirurgia, conforme o previsto no art. 14, § 2º, inciso II, da Portaria nº 2.803, de 19/11/2013, do Ministério da Saúde. Porém, ainda assim, o sentimento permanece premente. À mim, só resta aguardar o cumprimento do prazo legal para estar apta à cirurgia e contribuir, na medida do possível, para auxiliar que, aquelas colegas que já tenham cumprido a exigência legal, tenham o seu direito adquirido concretizado.

Enfim, foi só um desabafo...

Beijocas.

13/07/2017

Eu AMO os meus seios

Olá, pessoal, tudo bem?

Hoje eu quero fazer algumas reflexões sobre um assunto a respeito do qual não falo aqui faz algum tempo: seios.

Antes mesmo de me aceitar mulher, eu já tinha fascínio, e invejava, os seios de outras mulheres. Depois que me aceitou, conforme o tempo passava, e eu não conseguia iniciar a terapia hormonal, a situação se agravava de tal forma que qualquer coisa era razão para eu entrar em depressão. Por exemplo, se eu estivesse na rua e visse uma mulher com seios maiores do que os meus; ou, então, ao assistir programas na televisão. Enfim, era um sentimento crítico que eu tinha. E por crítico se entenda não o senso de julgamento, mas a gravidade com que atingia meu humor.

Porém, recentemente, estive em Santa Catarina, e amigas recomendaram (na verdade, quase imploraram) que eu não coloque silicone porque fará com que eu perca a sensibilidade nos seios. Confesso que preciso pesquisar, me informar melhor, além de consultar amigas siliconadas.

O fato é que desde lá o sentimento está sendo revertido e estou passando a ter outra percepção dos meus seios: passei a amá-los! E como passei!

Atualmente comparar meus seios com os de outras mulheres não tem mais qualquer efeito psicológico negativo em mim. Por isto, sinto ter tirado um enorme peso de cima dos meus ombros. 

E eu fico muito feliz com isto pois trata-se de uma Vitória. Assim mesmo, com "V". Afinal, foi uma batalha que travei contra mim mesma durante todo o período desde que me entendo por gente! Então, vocês conseguem ter dimensão da importância disto? 

Bom, o fato é que, neste momento, eu me sinto muito bem com os seios que tenho: gosto do formato, do peso, do volume... Enfim, são lindos e apaixonantes! E isto tem contribuído imensamente com a minha auto-estima.

Até a próxima!

Beijocas.

12/07/2017

"Índia Misteriosa" e CPF

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria de compartilhar com vocês algumas novidades recentes. Ontem eu fui à inauguração de uma exposição fotográfica na Pinacoteca Bar (R. da República, 409 - Cidade Baixa - Porto Alegre) de uma amiga. A exposição se chama "Índia Misteriosa" e retrata os 30 dias de viagem dela e do namorado por este país asiático.

Mas, para mim, além da exposição, foi muito gratificante reencontrar um casal de amigos que fazia cerca de 7 anos que não nos víamos. Também revi uma outra amiga, mas com esta eu havia almoçado "recentemente" (leia ano passado).

Denise, Luiza, Janaína, Fernanda e Leonardo

O fato é que o encontro acabou se tornando emocionante para mim. Fui às lágrimas algumas vezes - e olha que nem sou de chorar tanto assim! Mas é que essas pessoas fizeram parte da melhor turma de amizades que tive, apesar de ter sido uma época bastante depressiva para mim em termos pessoais em função dos sucessivos infortúnios (para não rotular de fracassos) em nossas incursões noturnas pelas baladas de Estrela e Lajeado.

Por outro lado, havia nossas jantas e nossos reuniões no Spraitini Café - um espaço no andar inferior da minha casa em Estrela onde nos encontrávamos aos finais de semana e que tinha esse nome em homenagem à uma bebida que adorávamos e que nada mais era do que uma mistura de Sprite com Martini Bianco. Outras vezes, a gente se reunia em outras casas da turma. Comemorávamos nossos aniversários. Íamos ao Café Vier (na quadra de cima da minha casa). 

Enfim, eu sempre prezei muito pela companhia dessa turma de amigos, pois, desde que assistia a Dawson's Creek, eu sonhava em ter uma turma como a deles. E para mim eles foram essa turma.

Já no dia de hoje, consultei a minha advogada sobre uma informação que tive conhecimento ontem e depois fui atrás de consumar a confecção de um CPF com meu nome social! É claro que o mesmo não contempla 100% o interesse de transexuais e travestis por incluir o nome civil mas já é um boa iniciativa e que contribui para processos de retificação de nome. Portanto, prezadxs leitorxs trans e travestis, sigam o conselho: façam!

Eu ainda não tenho conhecimento de como a novidade na prática, até porque a autorização para a inclusão do nome social no CPF é muito recente (fim de junho), mas assim que eu souber, compartilho com vocês.

Beijocas.

11/07/2017

Música é Vida!

Olá, pessoal!

Após muito tempo usando o Spotify - um aplicativo musical - eu consegui dar uma cara bastante pessoal a ele. Porém, o mais interessante foi um amplo leque de variedades musicais que eu me permiti curtir. Por exemplo, Beyoncé, Laura Pausini e Rihanna não faziam parte do meu cardápio sonoro. Agora fazem. 

Para vocês compreenderem a dimensão que a coisa tomou, segue a lista com os artistas que estou seguindo no Spotify:

  1. Adriana Calcanhoto;
  2. Aerosmith;
  3. Agridoce;
  4. Alanis Morissette;
  5. Alceu Valença;
  6. Ana Carolina;
  7. Anastasyia Prihodka;
  8. Anitta;
  9. Arnaldo Antunes;
  10. Barão Vermelho;
  11. The Beatles;
  12. Beyoncé;
  13. Caetano Veloso;
  14. Cássia Eller;
  15. Cazuza;
  16. Chico Buarque;
  17. Chico Science;
  18. Claudia Leitte;
  19. Creedance Clearwater Revival;
  20. Criolo;
  21. Cindy Lauper;
  22. Daniela Mercury;
  23. Divinyls;
  24. Dom La Nena;
  25. Engenheiros do Hawaii;
  26. Fiona Apple;
  27. Gabriel, o Pensador;
  28. Iron Maiden;
  29. Ivete Sangalo;
  30. Janis Joplin;
  31. Jewel;
  32. John Lennon;
  33. Juliana Hetfield;
  34. Kid Abelha;
  35. Laura Pausini;
  36. Led Zeppelin;
  37. Legião Urbana;
  38. Liniker e os Caramelows;
  39. Ludmilla;
  40. Maria Gadú;
  41. Marisa Monte;
  42. Marjorie Estiano;
  43. Melanie C.;
  44. Melissa Etheridge;
  45. Meredith Brooks;
  46. Metallica;
  47. Nando Reis;
  48. Nirvana;
  49. No Doubt;
  50. Os Paralamas do Sucesso;
  51. Paula Toller;
  52. Pink Floyd;
  53. Pitty;
  54. Planet Hemp;
  55. R.E.M.;
  56. Ramones;
  57. Raul Seixas;
  58. Rihanna;
  59. Sandy;
  60. Shakira;
  61. Spice Girls;
  62. TNT;
  63. Titãs;
  64. Tom Zé;
  65. U2;
  66. Village People;
  67. Zé Ramalho.

Como vocês podem constatar a lista é longa e diversificada. Para muitas pessoas, a presença de Planet Hemp pode parecer surpreendente, mas saibam que escutei muito o álbum "Os Cães ladram mas a Caravana não para", quando de seu lançamento nos idos de 1997, 1998...

Outros artistas já fizeram parte da vida como, por exemplo, Spice Girls, No Doubt, TNT, Fiona Apple e Meredith Brooks.

Enfim, ao todo são 29 cantoras, 25 bandas e 13 cantores; 37 artistas brasileiros contra 30 estrangeiros; por fim, são 15 cantoras brasileiras, 15 bandas estrangeiras, 14 cantoras estrangeiras; 12 cantores brasileiros, 10 bandas brasileiras e 1 cantor estrangeiro.

Agora, "só" falta organizar algumas playlists, mas, como vocês também já devem ter percebido, esta será uma missão um tanto inglória. De qualquer forma, neste momento, as músicas estão rodando em modo aleatório, o que já permite uma variedade bastante extrema.

Mas, sinceramente, apaixonada por música como eu sou, não há a menor condição de eu me separar do Spotify seja em casa, seja na rua (especialmente quando ando de trem).

Definitivamente, música é vida. Sem música, não há vida. Uma vida sem trilha sonora, é um desperdício de tempo, pois este torna-se sinônimo de monotonia, de tédio.

Beijocas.

01/07/2017

300º Post, Resultado da Enquete e Canal do You Tube

Olá, tudo bem?

Gostaria de fazer três registros.

O primeiro é o de que a postagem anterior, foi a de número 300 desde que inaugurei o blog!

A segunda observação é de que ontem se encerrou a enquete na qual eu questionava os leitores sobre a necessidade de eu me submeter, ou não, à cirurgia de feminização facial. Para a minha surpresa, o resultado foi o seguinte:

SIM: 5 (33%)
NÃO: 10 (66%)

E agora que o blog está de volta, irei pensar em algumas melhorias e em uma nova enquete. Aliás, aceito sugestões de enquete!

Por fim, gostaria de comentar que, após uma experiência de gravação de um vídeo para ser exibido em um evento, em Belo Horizonte, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, eu voltei a me animar em retomar um canal que criei no You Tube!

💋

Ser Amante? Não, obrigada!

Olá, pessoal, tudo bem?

Atendendo a inúmeros pedidos, decidi retomar com as atualizações do blog. Primeiro, foi uma leitora de Belo Horizonte; essa semana, colegas do grupo do Protig do HCPA.

E eu gostaria de escrever sobre um episódio com o qual lidei durante toda a semana. Conversei com um homem mais velho (49 anos), casado e que, desde o início, demonstrou interesse em mim. O motivo? Eu ser transexual.

Durante esse período, conversamos algumas vezes, sendo que, em uma delas, descambou para um lado mais sexual. Entretanto, eu ressaltei que, se não fosse pelo fato de ser casado, ele perfeito. Lógico, que se tratava de um exagero, mas, por outro lado, ele sempre foi muito educado comigo. Ao contrário de muitos homens que não nutrem a menor consideração por mulheres trans.

Esta noite, ele me chamou novamente para conversarmos e eu comentei sobre isto me incomodar. Perguntei-lhe do porquê querer trair a esposa se o relacionamento deles era bom. E ele me respondeu que não sabia a razão mas que eu despertei o interesse dele.

Foi quando lhe questionei que tipo de relacionamento ele pretendia ter comigo: se ele queria encontros eventuais ou que eu fosse amante dele. Ele me respondeu que queria que eu fosse amante dele. Neste momento, eu parei realmente para pensar. Se eu queria aquilo para mim. E mais: e se a esposa dele descobrisse, qual seria a reação dela ao saber tendo sido traída com uma mulher trans? A resposta foi de que ela ou o mataria ou se separaria.

Enquanto isto, resolvi me aconselhar com uma grande amiga a respeito da situação. Esta amiga, me lembrou, basicamente, de duas coisas muito importantes:

1ª) Que feministas não falam em sororidade apenas da boca para fora;
2ª) E que eu mereço muito mais do que ser amante de alguém.

Ato contínuo, eu o comuniquei de que o bloquearia no Badoo e no WhatsApp e assim o fiz.

De tudo isto, fica que é sempre bom trocar ideias com pessoas mais experientes do que você no que concerne ao relacionamento com os homens. Não apenas as lembranças delas foram importantes, mas também o fato de que atualmente eu já me sinto mais confiante e segura de que tenho condições de me relacionar com homens solteiros que eu consiga despertar o interesse deles por mim!

Eu, definitivamente, preciso parar de achar que não capaz disso!

Eu, definitivamente, preciso parar de aceitar migalhas!

Eu, definitivamente, preciso ter a consciência de que, sim, sou uma mulher bonita e que posso despertar o interesse de muitos homens solteiros e que estejam dispostos a se relacionar com uma mulher trans, por mais que isso seja um tanto quanto complicado.

Enfim, aquele tempo em que eu me submetia à determinadas situações absurdamente abusivas, definitivamente, acabou!

Tenho consciência de que preciso trabalhar vários aspectos internos relacionados à minha sexualidade, mas eu sei que hei de chegar lá!

Beijocas.

25/05/2017

Comunicado Importante

Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

Após longa reflexão nas últimas semanas e após a consulta desta quinta-feira com a minha psicóloga, convenci-me de que é chegada a hora de tomar algumas atitudes, haja vista a necessidade de eu possuir uma renda própria mensal, além daquela que diz respeito ao imóvel de que disponho.

Eis, as novidades:
  1. Estabelecer metas para tarefas e suas respectivas sub-tarefas;
  2. Criar uma agenda de rotina rígida;
  3. Definir metas pessoais e materiais apenas quando resolvida a questão financeira;
  4. Refletir sobre o que falta para conquistar a primeira cliente;
  5. Colocar em stand-by este blog e o "Desmistificando o Movimento T";
  6. Alteração dos horários de alvorada e recolhimento;
  7. Informes semanais para a minha psicóloga.
Como consequência disto, decidi:
  1. Estabelecer como prioridades absolutas os compromissos relacionados ao processo transexulizador no HCPA; as consultas com a minha psicóloga; e as reuniões da coordenaria estadual do MES;
  2. Retirar-me da coordenação do Emancipa NH;
  3. Desistir de participar do Emancipa Mulher;
  4. Avaliar, caso a caso, acerca da participação em atividades políticas e de ativismo para as quais eu for convidada;
  5. Assegurar o comparecimento à reuniões, plenárias, congressos e convenções do partido, da corrente e das setoriais do coletivo.
Enfim, espero que vocês compreendam mas asseguro-lhes que a atual conjuntura exige que eu tome tais atitudes. Assim que a situação tiver melhorado, garanto-lhes que poderei rever a situação.

Beijos.

17/04/2017

Padaria Brasil, Taquareira Lanches e "Central - O Filme"

Olá, pessoal, tudo bem?

Bom, gostaria de começar comentando que o texto anterior teve uma repercussão bem interessante. Funcionárias da Padaria Brasil se manifestaram no link de divulgação no Facebook e há pouco quando fui até lá fazer algumas caixas, a guria do caixa me "intimou" a respeito. O que realmente fica deste episódio é uma demonstração de carinho por parte delas. Todas aquelas que se manifestaram foi em apoio à minha decisão. E assim: em certas situações, é preciso abdicar da zona de conforto para prosperar. E é exatamente isto o que estou fazendo.

Por isto, esta manhã, minha mãe e eu fomos almoçar na Taquareira Lanches. O espaço é rústico e agradável, porém, o atendimento fica devendo um pouco e o cardápio... Bem, o cardápio é destinado à pessoas com alimentação "normal" e os pratos incluem muitos tipos de salada. Acabei me decidindo por um mini-lanche de filé (sem maionese, off course) e uma porção de batatas fritas. O mini-lanche era composto por pão de bauru, um bifé de filé mignon e queijo. Minha mãe é testemunha do quanto me esforcei em dar cabo do mini-lanche mas não consegui. Entretanto, na minha concepção, só o simples fato de eu ter comido parte deste mini-lanche já é uma vitória, pois na minha cabeça o queijo cobriria a parte de fora do pão com o filé dentro. Na verdade, o queijo foi colocado por cima do filé. Mas, tudo bem, amanhã será outro dia. Aliás, às terças costumamos almoçar no Weber's, um restaurante com comida caseira e que aos finais de semana serve comida típica alemã.

De tarde eu fui ao shopping resolver algumas coisas e aproveitar para comprar um ingresso para assistir à "Central - O Filme", da Tatiana Sager. Aliás, como política e ativista, é meu dever ter alguma ideia mais precisa do que se passa dentro de uma penitenciária como o Presídio Central, de Porto Alegre.

Enfim, pessoal... No momento, é isto.

💋

16/04/2017

Adeus, Padaria Brasil!

Olá, pessoal, tudo bem?

Antes de mais nada, quero tranquilizar às meninas e aos meninos da Padaria Brasil que não, não estarei abandonando vocês. Pelo menos, não em definitivo. Enfim, vou contar a decisão que tomei e que será posta em prática a partir de amanhã.

Ocorre que desde quinta-feira, quando almocei com a Giovana, eu passei a consumir de forma regular salada. Em três dos últimos quatro dias, teve alface no meu prato. Só não teve na sexta-feira porque devido ao feriado decidimos almoçar em casa e foi supersimples. Ontem, por exemplo, meu prato estava tão colorido quanto na quinta-feira, como vocês podem conferir abaixo:

Alface, arroz, batata-frita, cenourinha ralada, costelinha de porco e coxinha de galinha.
(Foto by Luiza Eduarda dos Santos)

Pode parecer bobo e talvez até idiota publicar esta foto mas considero-a muito significativa. Apesar de serem de alimentos que em algum momento da vida já havia consumido - alface, cenourinha ralada e coxinha de galinha -, estavam fora do meu cardápio há algum tempo. O fato é que o almoço de quinta-feira serviu como uma forma de estímulo para minha re-educação alimentar. E eu resolvi agarrar a oportunidade como se fosse a última da minha vida.

Assim, como forma de continuar o processo, decidi que, a partir de amanhã, abandonarei o hábito de almoçar na Padaria Brasil de 3 a 4 vezes por semana. Sim, isto mesmo! Durante muito tempo, confesso, meu prato foi batata frita, ovo frito e bifé de filé. Sem arroz, nem qualquer tipo de salada. Até que algumas semanas atrás, tudo mudou. Notei que não conseguia mais comer todo o bife. Então, passei a substituir o bife por uma torrada Brasil simples apenas com queijo. Em umas duas ou três ocasiões, pedi uma porção de coração de frango.

Após de me dar conta de que o consumo de ferro havia diminuído, passei a temer ficar com anemia, pois além de não estar comendo carne de gado, não como feijão, nem lentilha. Ainda assim consegui consumir apenas umas duas vezes no período de uma semana a dez dias...

Juntando tudo isto é que tomei tal decisão. Isto não quer dizer que eu estou dando adeus à Padaria Brasil. Estou dando adeus à Padaria Brasil apenas ao que se refere almoçar por lá regularmente. 

Portanto, a partir de amanhã, meu desafio será explorar novas possibilidades, visitando "novos" restaurantes. Ou seja, os restaurantes não são necessariamente novos, apenas eu não costumava frequentá-los.

Por fim, o mais interessante. Procurarei fazer um relato diário sobre meus avanços. E espero que eles possam ser positivos!

💋

14/04/2017

Lições do Encontro com a Giovana

Olá, pessoal, tudo bem?

Conforme prometido, agora, escreverei a respeito do meu encontro com a minha amiga dos tempos de Estrela, a Giovana. Naturalmente, certos assuntos serão omitidos por questão de privacidade.  Mas dentro daquilo que é possível relatar, quero destacar algumas coisas. 

A Giovana é cabeleireira e estuda na UFRGS. Por isto, durante nossa conversa, a consultei a respeito do meu cabelo e combinamos que, em breve, iremos cortar as pontas e fazer as luzes. E quando digo em breve é em breve mesmo. No que depender de mim, será no máximo, até o dia 24. E eu confesso que já havia muito tempo em que eu tinha interesse em entregar os meus cabelos à ela, porém, em virtude da distância, ficava muito complicado.

Também procurei buscar dicas de moda com ela, afinal, considerado-a muito elegante e com alto conhecimento a respeito. Foi, então, que, ela me conscientizou de que uma coisa muito óbvia: o segredo da moda é valorizar as virtudes do corpo e disfarçar aquilo de que não se gosta.

A este propósito, quem me conhece sabe que não estou satisfeita nem com o meu corpo, nem com o meu guarda-roupas. Mas o que de fato me surpreendeu foi a avaliação de que eu poderia tranquilamente usar decotes para valorizar os meus seios! Confesso ter ficado chocada! Para mim, eu ainda precisaria colocar silicone antes de poder fazer isto.

Aliás, é importante se ressaltar que a grande lição que ficou nesta seara é a necessidade de uma maior aceitação do meu corpo, pois, como já ouvido no dia anterior, não há o quê se duvidar de que eu já nasci mulher, apesar de não ser lida assim durante boa parte da minha vida. 

Passava um pouco do meio-dia quando decidimos almoçar. Ela me levou até um supermercado em que há um restaurante no segundo andar (me lembrei do Imec de Lajeado em que se chegou a fazer isto. Não sei se ainda tem). Por precaução, resolvi me servir de alface e cenourinha. Acrescentei arroz e dois peitos de frango. E este foi o meu almoço. Aproveitamos a ocasião para fazer um registro do nosso encontro:

Giovana e Eu (foto by Giovana Rabaioli)
(O mais curioso é que quando postei esta foto em meu perfil no Facebook, algumas amigas ficaram chocadas com o fato de verem salada em meu prato! 😱 Uma delas tirou sarro afirmando que a vida não é feita só de batata frita. Bem, sinto dever algumas explicações. Primeiro é preciso que saibam que eu como como forma de sobrevivência e não por prazer; segundo, eu até como saladas mas sob circunstâncias especiais; e, por fim, gostaria de registrar que, de fato, batata frita é minha comida favorita.)

Depois disto, fomos procurar por uma agência do meu banco nas proximidades. Chegamos a encarar duas quadras um tanto íngremes, em que reclamei justamente disto. A reação dela foi mais ou menos esta: "Ah, mas é bom porque malha a bunda". Sim, é verdade! Que se faça uma limonada deste limão!

Após termos constatado que a agência havia fechado, voltamos para o apartamento dela onde conversamos por mais um tempo. Eram quase duas horas da tarde quando nos despedimos.

Bem... mas o que ficou deste encontro? 

Basicamente, ela me ensinou que devemos buscar sempre o melhor dentro do nosso limite, do que estiver ao nosso alcance. E isto é importante porque nos ajuda a delimitar nossas projeções, nossos sonhos, de forma a mantê-los dentro da realidade. Sem delírios. Sem viajar na maionese, no ketchup e na mostarda. Por outro lado, também é uma forma de autoproteção, pois impede que extrapolemos nossos limites e entremos em depressão.

Mas o mais importante é que estabelecemos uma conexão, a partir da qual deveremos estreitar nossos laços de amizade. Ela é simplesmente uma pessoa fantástica e com a qual espero manter uma intensa troca de experiências e confidências. 

Para tanto, tenho consciência de que é fundamental que eu esteja sempre bem-humorada e em paz comigo mesma.

Enfim... evoluir é sempre preciso e é possível. 

Basta querer.

E eu quero!

💋

13/04/2017

Unisinos, "Apocalipse Cuíer", HCPA e PSOL

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria de contar a respeito dos meus últimos dois dias, pois foram muito especiais...

Ontem à tarde fui até à Unisinos para conceder uma entrevista para uma matéria que integra uma campanha institucional da universidade onde estudei por cinco anos. A conversa fluiu de tal forma que, quando me dei conta, estava em cima do meu limite de tempo para pegar o trem rumo a Porto Alegre e sequer havíamos iniciado a sessão fotográfica! 

Mas devo confessar que esta entrevista foi bastante desgastante para mim, pois, pela primeira vez, exibi imagens chocantes de mulheres trans e travestis para entrevistadores. Como bem reparou a Karla, os assassinatos têm como marca registrada uma violência acima do "normal" e cuja explicação tem relação com o ódio e a intolerância contra a comunidade T.

Por outro lado, ao final da entrevista, fui surpreendida com uma carta manuscrita e um texto da poeta, cantora e compositora brasiliense Tatiana Nascimento intitulado "apocalipse cuíer":

"nós vamos destruir tudo que você ama
e tudo que c chama 'amor'
nós vamos destruir

porque c chama 'amor à pátria'
o que é racismo
c chama 'amor a deus'
o que é fundamentalismo
c chama 'amor pela família'
o que é sexismo homofóbico y
c chama transfobia de 'amor à natureza'
c chama de 'amor pela segurança'
o que é militarismo
y o capitalismo

c chama de 'amor pelo trabalho'
o que c chama de 'amor à humanidade'
é especismo, y esse seu 'amor pela Palavra'
na real é só um caso histórico de má-tradução - que
convenientemente, chamar deus de 'ele', mas se
liga: nós somos seu apocalipse
cuíer. y o que c chama de
'amor pela liberdade', 
'pela justiça', toda
essa sua ideia de 'civilização' é
assassinato, é genocídio,
quer matar tudo
que ri, que goza, que dança,

quer matar a gente.

mas a gente se vinga

que nem semente daninha:
a gente sobre
vive!
tá vendo? já começou!
sente a pulsação vibrando 
o chão: é o beat do nosso coração!

porque a gente, que você amaldiçoa
em nome do seu amor doentio
normativo,
segregador,
a gente que é amante,
a gente é que vive y espalha

amor."

Eu realmente fiquei muito tocada, tanto pela carta, quanto pelo texto. Por isto, gravei um áudio no WhatsApp para ela como agradecimento, além de fazer algumas considerações.

O fato é que no fim cheguei às 19 horas em Porto Alegre, horário para o qual estava agendada a consulta. Por isto, decidi chamar um Uber a fim de me deslocar mais rapidamente até o consultório. Ainda assim, cheguei com meia hora de atraso! Mas, ok, foi toda uma conjuntura que culminou com meu atraso. Felizmente, nos entendemos muito bem!

Já esta manhã, eu fui coletar sangue no Hospital de Clínicas, haja vista que a nova endocrinologista solicitou 23 exames. De certa forma, me surpreendi com o fato de que fui atendida alguns minutos antes do previsto. 

Coletado o sangue, fui na cafeteria, comprei dois pães de queijo (que consumi lá mesmo) e uma lata de Sprite (que fui consumindo durante o trajeto de cerca de 3,5 km até o edifício onde minha amiga Giovana mora. Ah, sim: a louca aqui é viciada por caminhadas em Porto Alegre!).

Este seria o parágrafo que eu deveria escrever sobre o encontro com a Giovana, porém, deixarei isto para um texto exclusivo que farei amanhã, visto que foi muito produtivo, relevante e que, certamente, terá desdobramentos ainda mais importantes.

Por fim, depois que nos despedimos, peguei um T9 e desci na praça Dom Feliciano. De lá, segui a pé até a sede estadual do PSOL (perto da Usina do Gasômetro) para buscar material de convocação para a Greve Geral de 28 de abril. Porém, antes de chegar na Borges de Medeiros, ao passar pelo Largo Glênio Peres (ao lado do Mercado Público) enfrentei um tumulto muito grande devido à bancas para venda de peixes em virtude da Sexta-Feira Santa.

Na volta da sede, fiz um pit-stop na Padaria Roma, onde me fiz um lanchinho. Mais adiante, fui no banheiro no Rua da Praia Shpping. Não muito distante dali, encontrei uma companheira do Juntas, a Angélica (ma-ra-vi-lho-sa!). Já no trem, eu cochilei (ahn... acho que se trata de um eufemismo, mas enfim...)

O resultado destes dois dias após o combo 7 horas de salto alto + uns 6 km de caminhada é que estou com as plantas dos pés em frangalhos... Felizmente, poderei me recuperar neste final de semana haja vista que não terei compromissos políticos e, ainda por cima, receberei (junto com a minha mãe) a visita do meu irmão e sua família.

💋

12/04/2017

Responsabilidades, Agenda, Leituras e Aquisições

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

Sim, eu sei que estou sumida há um booooommmmm tempo, porém, minha vida anda muito corrida. Aliás, corrida demais para uma mulher desempregada! 😱

A propósito: no último final de semana, eu fiz uma lista um tanto curiosa. Primeiro eu escrevi todas as instâncias com as quais estou envolvida (partido, corrente, coletivos e ativismos). Só aí, cheguei a 10! Percebam que não levei em consideração a esfera pessoal...

Feito isto, eu listei todas as responsabilidades que tenho em cada uma destas instâncias. Sinceramente, não tive coragem de contar... O fato é que o documento no Google Drive teve mais de uma página...

Vocês devem estar se perguntando porquê fiz isto. A razão é simples: eu precisava descobrir o que anda consumindo tanto o meu tempo. 

É claro que a isto precisa-se acrescentar as visitas semanais à psicóloga e as quinzenais ao Clínicas... 

Por isto, saibam que estou realmente falando sério quando digo que preciso consultar a minha agenda antes de assumir qualquer compromisso. Houve semana em que cheguei a ir até seis vezes a Porto Alegre! Não que os 40 km de trem realizados em 55 minutos entre Novo Hamburgo e Porto Alegre sejam um problema para mim. Eu simplesmente me acomodo em um lugar, escuto música, acesso Facebook, Instagram, e-mail e os mais variados sítios, além de aproveitar para ler um bom livro ou jogar "Geografia Mundial".

Por falar em livro, finalmente, concluí a leitura de "Gênero em Termos Reais", da pesquisadora transexual australiana Raewyn Connell. Aliás, o fiz isto de forma concomitante ao início de "E se eu fosse puta", da travesti, doutoranda em Letras, colunista do Mídia Ninja e prostituta Amara Moira. Aliás, em menos de uma semana já li 144 páginas... O certo é que não ficarei muito tempo sem uma nova leitura pois "Contos Transantropológicos", da minha amiga Atena Roveda, já está reservado.

Crédito: Bruno Dini (extraído do sítio da Hoo Editora)

Apesar da enorme agitação que anda minha vida, consegui tirar um tempinho para ir à Feira da Loucura por Sapatos, na Fenac, para a qual tive companhia da minha mãe. Esta feira é realizada duas vezes por ano (em abril e em setembro/outubro) sempre antecipando as estações que se avizinham. E eu a curto bastante pois é preciso se adquirir produtos de qualidade a preços bem em conta. Por exemplo, ontem eu comprei duas bolsas (uma cor-de-rosa da Raffithy e uma azul marinho da Carmona) e um sapato com um saltinho básico (sério, o salto não é muito alto, nem muito fino, então, a estabilidade e a manutenção do equilíbrio são bem tranquilas). Enfim... pelo menos, para alguma coisa deve servir na cidade em que se orgulha de forma saudosista em ser a "Capital Nacional do Calçado", não é mesmo? 😉

Bem, vou ficando por aqui. Espero voltar em breve.

💋

13/03/2017

Manhã de Experiências Inéditas

Olá, pessoal, tudo bem?

Tenho a leve impressão de que a semana que está se iniciando será tão, ou mais, agitada que a passada. A suspeita é proveniente da insana manhã que tive. Se não, vejamos.

Hoje era dia de sessão de grupo do Protig no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), logo, eu precisava levantar às 6 horas para tomar meu café da manhã, me vestir e me maquiar a tempo de pegar o trem por volta das 7 horas. Desta previsão, era preciso descontar de 10 a 15 minutos entre caminhada, compra de créditos para o Cartão SIM e subida até a plataforma de embarque. Apesar de ter chegado um pouco depois disto, minha chegada ao HCPA ocorreu dentro do programado. Ou seja: sem maiores incidentes ou atrasos.

Ao chegar na Zona 7, encontrei nossa colega que se submeteu à cirurgia de redesignação sexual (CRS) no início de fevereiro (isto é, entre a sessão única de janeiro e a de hoje). Confesso que nutria uma certa expectativa em relação de como seria a sessão de hoje justamente por conta disto e, em especial, pela situação inédita com a que me deparava, pois, até então, não havia tido colega do grupo que fora submetida à CRS. Enquanto aguardávamos pelo nosso horário, esta colega me mostrou duas fotos de sua neovagina (termo utilizado para a vagina de mulheres transexuais). Ela também me contou que, no caso dela, não sentiu dores pós-cirúrgicas. 

Quanto à consulta, naturalmente, por se tratar de sigilo médico, nada a declarar. Até por isto, cumpre ressaltar que destaquei com sublinhado o início da frase na antepenúltima linha do parágrafo anterior. Ou seja: para ressaltar que nossa conversa foi anterior ao ingresso na sala do grupo e, consequentemente, não está sob sigilo médico. Ainda assim, preferi preservar a identidade da colega. 👍

Finda a sessão, uma outra colega e eu decidimos pegar um ônibus até a Estação Rodoviária do Trensurb. Para a nossa surpresa, estação fechada. Ficamos sabendo que não haveria previsão de reabertura. Assim, ela decidiu retornar de ônibus para Canoas enquanto eu ligava para minha mãe para notificá-la do incidente. No princípio, meu plano era ir a um caixa eletrônico 24 Horas, sacar um dinheiro e seguir até o terminal interurbano metropolitano existente sob o Camelódromo com a intenção de voltar de ônibus para Novo Hamburgo. A ideia fracassou com sucesso ao me dar conta de que não estava com, nem lembrava da, combinação alfanumérica necessária para efetuar o saque e ao confirmar com minha mãe que a gaveta da escrivaninha onde eu guardo o tal comprovante estava devidamente chaveada, sendo que eu estava com a chave...

Com fome, resignei-me e decidi lanchar na Bella Gulla. Quando entrei, a garçonete logo comentou se lembrar de mim. Disse-me que se recordava de mim porque das outras vezes que estive lá sempre fui muito gentil e que clientes assim são marcantes. Após esta breve conversa, questionei-lhe se aceitavam cartão da marca Ello, pois, tinha consciência de que não teria dinheiro suficiente caso não aceitassem... Com sua resposta positiva, fiz o pedido que contemplou a troca da maionese por margarina (sim, eu odeio maionese! E, neste caso, posso afirmar categoricamente, pois já tentei comer torrada com maionese e eu realmente odiei!) em minha torrada (queijo quente)

Aproveitei o tempo para descobrir se haveria previsão de reabertura das estações. Acessando a página do Trensurb no Facebook, descobri que deveria ser ao meio-dia. Assim, decidi ler um pouco de "Gênero em Termos Reais", da pesquisadora australiana transexual Raewyn Connell. 💖

Alguns minutos antes da reabertura, desloquei-me até as proximidades da estação do Trensurb. Não demorou para que uma moça se aproximasse de mim e começássemos a conversar sobre a situação (a ocorrência foi uma avaria na rede aérea de energia de tração). Para mim, se tratava de uma novidade, pois, nos diversos anos em que uso metrô entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, jamais havia acontecido comigo.

Enquanto conversávamos, um senhor nos pediu para que o avisássemos quando a estação reabrisse. Compreensível, afinal, tratava-se de um deficiente visual. Demos toda a atenção para ele. Quando a estação reabriu, pouco depois do horário previsto, ele pediu para que uma de nós o auxiliasse na descida da escada, no que me prontifiquei. Mais uma vez, estava perante uma experiência inédita. Como nunca havia enfrentado tal realidade, foi necessário que ele me explicasse como ajudá-lo. Então, o conduzi próximo a uma das catracas da estação e chamei um segurança metroviário para continuar a auxiliá-lo, visto ser necessário por conta das normas do Trensurb.

Um pouco antes deste senhor descer, outra situação fora do comum (para não repetir "inédita"): após uma freada brusca do trem, eu deslizei em direção ao senhor por conta do fato de estar usando legging. Assim, para retornar a posição inicial, precisei apoiar minha mão direita na base inferior do banco. Nisto, um rapaz ao meu lado puxou conversa comigo e me perguntou se eu era casada... Como este rapaz desceu na mesma estação do senhor deficiente visual, ele me passou seu contato e eu fiquei de lhe enviar uma mensagem (Vocês devem estar se perguntando se já enviei a mensagem. Ainda não, pois, não me decidi se devo ou não fazê-lo. E não tem relação com a questão de que mulheres, em tese, não podem tomar a iniciativa, mas sim porque desconfio que o rapaz não se encaixe no meu perfil).

Enfim... esta foi apenas a manhã do primeiro dia útil da semana que se inicia... O que mais será que vem por aí?

💋