25/05/2017

Comunicado Importante

Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

Após longa reflexão nas últimas semanas e após a consulta desta quinta-feira com a minha psicóloga, convenci-me de que é chegada a hora de tomar algumas atitudes, haja vista a necessidade de eu possuir uma renda própria mensal, além daquela que diz respeito ao imóvel de que disponho.

Eis, as novidades:
  1. Estabelecer metas para tarefas e suas respectivas sub-tarefas;
  2. Criar uma agenda de rotina rígida;
  3. Definir metas pessoais e materiais apenas quando resolvida a questão financeira;
  4. Refletir sobre o que falta para conquistar a primeira cliente;
  5. Colocar em stand-by este blog e o "Desmistificando o Movimento T";
  6. Alteração dos horários de alvorada e recolhimento;
  7. Informes semanais para a minha psicóloga.
Como consequência disto, decidi:
  1. Estabelecer como prioridades absolutas os compromissos relacionados ao processo transexulizador no HCPA; as consultas com a minha psicóloga; e as reuniões da coordenaria estadual do MES;
  2. Retirar-me da coordenação do Emancipa NH;
  3. Desistir de participar do Emancipa Mulher;
  4. Avaliar, caso a caso, acerca da participação em atividades políticas e de ativismo para as quais eu for convidada;
  5. Assegurar o comparecimento à reuniões, plenárias, congressos e convenções do partido, da corrente e das setoriais do coletivo.
Enfim, espero que vocês compreendam mas asseguro-lhes que a atual conjuntura exige que eu tome tais atitudes. Assim que a situação tiver melhorado, garanto-lhes que poderei rever a situação.

Beijos.

17/04/2017

Padaria Brasil, Taquareira Lanches e "Central - O Filme"

Olá, pessoal, tudo bem?

Bom, gostaria de começar comentando que o texto anterior teve uma repercussão bem interessante. Funcionárias da Padaria Brasil se manifestaram no link de divulgação no Facebook e há pouco quando fui até lá fazer algumas caixas, a guria do caixa me "intimou" a respeito. O que realmente fica deste episódio é uma demonstração de carinho por parte delas. Todas aquelas que se manifestaram foi em apoio à minha decisão. E assim: em certas situações, é preciso abdicar da zona de conforto para prosperar. E é exatamente isto o que estou fazendo.

Por isto, esta manhã, minha mãe e eu fomos almoçar na Taquareira Lanches. O espaço é rústico e agradável, porém, o atendimento fica devendo um pouco e o cardápio... Bem, o cardápio é destinado à pessoas com alimentação "normal" e os pratos incluem muitos tipos de salada. Acabei me decidindo por um mini-lanche de filé (sem maionese, off course) e uma porção de batatas fritas. O mini-lanche era composto por pão de bauru, um bifé de filé mignon e queijo. Minha mãe é testemunha do quanto me esforcei em dar cabo do mini-lanche mas não consegui. Entretanto, na minha concepção, só o simples fato de eu ter comido parte deste mini-lanche já é uma vitória, pois na minha cabeça o queijo cobriria a parte de fora do pão com o filé dentro. Na verdade, o queijo foi colocado por cima do filé. Mas, tudo bem, amanhã será outro dia. Aliás, às terças costumamos almoçar no Weber's, um restaurante com comida caseira e que aos finais de semana serve comida típica alemã.

De tarde eu fui ao shopping resolver algumas coisas e aproveitar para comprar um ingresso para assistir à "Central - O Filme", da Tatiana Sager. Aliás, como política e ativista, é meu dever ter alguma ideia mais precisa do que se passa dentro de uma penitenciária como o Presídio Central, de Porto Alegre.

Enfim, pessoal... No momento, é isto.

💋

16/04/2017

Adeus, Padaria Brasil!

Olá, pessoal, tudo bem?

Antes de mais nada, quero tranquilizar às meninas e aos meninos da Padaria Brasil que não, não estarei abandonando vocês. Pelo menos, não em definitivo. Enfim, vou contar a decisão que tomei e que será posta em prática a partir de amanhã.

Ocorre que desde quinta-feira, quando almocei com a Giovana, eu passei a consumir de forma regular salada. Em três dos últimos quatro dias, teve alface no meu prato. Só não teve na sexta-feira porque devido ao feriado decidimos almoçar em casa e foi supersimples. Ontem, por exemplo, meu prato estava tão colorido quanto na quinta-feira, como vocês podem conferir abaixo:

Alface, arroz, batata-frita, cenourinha ralada, costelinha de porco e coxinha de galinha.
(Foto by Luiza Eduarda dos Santos)

Pode parecer bobo e talvez até idiota publicar esta foto mas considero-a muito significativa. Apesar de serem de alimentos que em algum momento da vida já havia consumido - alface, cenourinha ralada e coxinha de galinha -, estavam fora do meu cardápio há algum tempo. O fato é que o almoço de quinta-feira serviu como uma forma de estímulo para minha re-educação alimentar. E eu resolvi agarrar a oportunidade como se fosse a última da minha vida.

Assim, como forma de continuar o processo, decidi que, a partir de amanhã, abandonarei o hábito de almoçar na Padaria Brasil de 3 a 4 vezes por semana. Sim, isto mesmo! Durante muito tempo, confesso, meu prato foi batata frita, ovo frito e bifé de filé. Sem arroz, nem qualquer tipo de salada. Até que algumas semanas atrás, tudo mudou. Notei que não conseguia mais comer todo o bife. Então, passei a substituir o bife por uma torrada Brasil simples apenas com queijo. Em umas duas ou três ocasiões, pedi uma porção de coração de frango.

Após de me dar conta de que o consumo de ferro havia diminuído, passei a temer ficar com anemia, pois além de não estar comendo carne de gado, não como feijão, nem lentilha. Ainda assim consegui consumir apenas umas duas vezes no período de uma semana a dez dias...

Juntando tudo isto é que tomei tal decisão. Isto não quer dizer que eu estou dando adeus à Padaria Brasil. Estou dando adeus à Padaria Brasil apenas ao que se refere almoçar por lá regularmente. 

Portanto, a partir de amanhã, meu desafio será explorar novas possibilidades, visitando "novos" restaurantes. Ou seja, os restaurantes não são necessariamente novos, apenas eu não costumava frequentá-los.

Por fim, o mais interessante. Procurarei fazer um relato diário sobre meus avanços. E espero que eles possam ser positivos!

💋

14/04/2017

Lições do Encontro com a Giovana

Olá, pessoal, tudo bem?

Conforme prometido, agora, escreverei a respeito do meu encontro com a minha amiga dos tempos de Estrela, a Giovana. Naturalmente, certos assuntos serão omitidos por questão de privacidade.  Mas dentro daquilo que é possível relatar, quero destacar algumas coisas. 

A Giovana é cabeleireira e estuda na UFRGS. Por isto, durante nossa conversa, a consultei a respeito do meu cabelo e combinamos que, em breve, iremos cortar as pontas e fazer as luzes. E quando digo em breve é em breve mesmo. No que depender de mim, será no máximo, até o dia 24. E eu confesso que já havia muito tempo em que eu tinha interesse em entregar os meus cabelos à ela, porém, em virtude da distância, ficava muito complicado.

Também procurei buscar dicas de moda com ela, afinal, considerado-a muito elegante e com alto conhecimento a respeito. Foi, então, que, ela me conscientizou de que uma coisa muito óbvia: o segredo da moda é valorizar as virtudes do corpo e disfarçar aquilo de que não se gosta.

A este propósito, quem me conhece sabe que não estou satisfeita nem com o meu corpo, nem com o meu guarda-roupas. Mas o que de fato me surpreendeu foi a avaliação de que eu poderia tranquilamente usar decotes para valorizar os meus seios! Confesso ter ficado chocada! Para mim, eu ainda precisaria colocar silicone antes de poder fazer isto.

Aliás, é importante se ressaltar que a grande lição que ficou nesta seara é a necessidade de uma maior aceitação do meu corpo, pois, como já ouvido no dia anterior, não há o quê se duvidar de que eu já nasci mulher, apesar de não ser lida assim durante boa parte da minha vida. 

Passava um pouco do meio-dia quando decidimos almoçar. Ela me levou até um supermercado em que há um restaurante no segundo andar (me lembrei do Imec de Lajeado em que se chegou a fazer isto. Não sei se ainda tem). Por precaução, resolvi me servir de alface e cenourinha. Acrescentei arroz e dois peitos de frango. E este foi o meu almoço. Aproveitamos a ocasião para fazer um registro do nosso encontro:

Giovana e Eu (foto by Giovana Rabaioli)
(O mais curioso é que quando postei esta foto em meu perfil no Facebook, algumas amigas ficaram chocadas com o fato de verem salada em meu prato! 😱 Uma delas tirou sarro afirmando que a vida não é feita só de batata frita. Bem, sinto dever algumas explicações. Primeiro é preciso que saibam que eu como como forma de sobrevivência e não por prazer; segundo, eu até como saladas mas sob circunstâncias especiais; e, por fim, gostaria de registrar que, de fato, batata frita é minha comida favorita.)

Depois disto, fomos procurar por uma agência do meu banco nas proximidades. Chegamos a encarar duas quadras um tanto íngremes, em que reclamei justamente disto. A reação dela foi mais ou menos esta: "Ah, mas é bom porque malha a bunda". Sim, é verdade! Que se faça uma limonada deste limão!

Após termos constatado que a agência havia fechado, voltamos para o apartamento dela onde conversamos por mais um tempo. Eram quase duas horas da tarde quando nos despedimos.

Bem... mas o que ficou deste encontro? 

Basicamente, ela me ensinou que devemos buscar sempre o melhor dentro do nosso limite, do que estiver ao nosso alcance. E isto é importante porque nos ajuda a delimitar nossas projeções, nossos sonhos, de forma a mantê-los dentro da realidade. Sem delírios. Sem viajar na maionese, no ketchup e na mostarda. Por outro lado, também é uma forma de autoproteção, pois impede que extrapolemos nossos limites e entremos em depressão.

Mas o mais importante é que estabelecemos uma conexão, a partir da qual deveremos estreitar nossos laços de amizade. Ela é simplesmente uma pessoa fantástica e com a qual espero manter uma intensa troca de experiências e confidências. 

Para tanto, tenho consciência de que é fundamental que eu esteja sempre bem-humorada e em paz comigo mesma.

Enfim... evoluir é sempre preciso e é possível. 

Basta querer.

E eu quero!

💋

13/04/2017

Unisinos, "Apocalipse Cuíer", HCPA e PSOL

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria de contar a respeito dos meus últimos dois dias, pois foram muito especiais...

Ontem à tarde fui até à Unisinos para conceder uma entrevista para uma matéria que integra uma campanha institucional da universidade onde estudei por cinco anos. A conversa fluiu de tal forma que, quando me dei conta, estava em cima do meu limite de tempo para pegar o trem rumo a Porto Alegre e sequer havíamos iniciado a sessão fotográfica! 

Mas devo confessar que esta entrevista foi bastante desgastante para mim, pois, pela primeira vez, exibi imagens chocantes de mulheres trans e travestis para entrevistadores. Como bem reparou a Karla, os assassinatos têm como marca registrada uma violência acima do "normal" e cuja explicação tem relação com o ódio e a intolerância contra a comunidade T.

Por outro lado, ao final da entrevista, fui surpreendida com uma carta manuscrita e um texto da poeta, cantora e compositora brasiliense Tatiana Nascimento intitulado "apocalipse cuíer":

"nós vamos destruir tudo que você ama
e tudo que c chama 'amor'
nós vamos destruir

porque c chama 'amor à pátria'
o que é racismo
c chama 'amor a deus'
o que é fundamentalismo
c chama 'amor pela família'
o que é sexismo homofóbico y
c chama transfobia de 'amor à natureza'
c chama de 'amor pela segurança'
o que é militarismo
y o capitalismo

c chama de 'amor pelo trabalho'
o que c chama de 'amor à humanidade'
é especismo, y esse seu 'amor pela Palavra'
na real é só um caso histórico de má-tradução - que
convenientemente, chamar deus de 'ele', mas se
liga: nós somos seu apocalipse
cuíer. y o que c chama de
'amor pela liberdade', 
'pela justiça', toda
essa sua ideia de 'civilização' é
assassinato, é genocídio,
quer matar tudo
que ri, que goza, que dança,

quer matar a gente.

mas a gente se vinga

que nem semente daninha:
a gente sobre
vive!
tá vendo? já começou!
sente a pulsação vibrando 
o chão: é o beat do nosso coração!

porque a gente, que você amaldiçoa
em nome do seu amor doentio
normativo,
segregador,
a gente que é amante,
a gente é que vive y espalha

amor."

Eu realmente fiquei muito tocada, tanto pela carta, quanto pelo texto. Por isto, gravei um áudio no WhatsApp para ela como agradecimento, além de fazer algumas considerações.

O fato é que no fim cheguei às 19 horas em Porto Alegre, horário para o qual estava agendada a consulta. Por isto, decidi chamar um Uber a fim de me deslocar mais rapidamente até o consultório. Ainda assim, cheguei com meia hora de atraso! Mas, ok, foi toda uma conjuntura que culminou com meu atraso. Felizmente, nos entendemos muito bem!

Já esta manhã, eu fui coletar sangue no Hospital de Clínicas, haja vista que a nova endocrinologista solicitou 23 exames. De certa forma, me surpreendi com o fato de que fui atendida alguns minutos antes do previsto. 

Coletado o sangue, fui na cafeteria, comprei dois pães de queijo (que consumi lá mesmo) e uma lata de Sprite (que fui consumindo durante o trajeto de cerca de 3,5 km até o edifício onde minha amiga Giovana mora. Ah, sim: a louca aqui é viciada por caminhadas em Porto Alegre!).

Este seria o parágrafo que eu deveria escrever sobre o encontro com a Giovana, porém, deixarei isto para um texto exclusivo que farei amanhã, visto que foi muito produtivo, relevante e que, certamente, terá desdobramentos ainda mais importantes.

Por fim, depois que nos despedimos, peguei um T9 e desci na praça Dom Feliciano. De lá, segui a pé até a sede estadual do PSOL (perto da Usina do Gasômetro) para buscar material de convocação para a Greve Geral de 28 de abril. Porém, antes de chegar na Borges de Medeiros, ao passar pelo Largo Glênio Peres (ao lado do Mercado Público) enfrentei um tumulto muito grande devido à bancas para venda de peixes em virtude da Sexta-Feira Santa.

Na volta da sede, fiz um pit-stop na Padaria Roma, onde me fiz um lanchinho. Mais adiante, fui no banheiro no Rua da Praia Shpping. Não muito distante dali, encontrei uma companheira do Juntas, a Angélica (ma-ra-vi-lho-sa!). Já no trem, eu cochilei (ahn... acho que se trata de um eufemismo, mas enfim...)

O resultado destes dois dias após o combo 7 horas de salto alto + uns 6 km de caminhada é que estou com as plantas dos pés em frangalhos... Felizmente, poderei me recuperar neste final de semana haja vista que não terei compromissos políticos e, ainda por cima, receberei (junto com a minha mãe) a visita do meu irmão e sua família.

💋

12/04/2017

Responsabilidades, Agenda, Leituras e Aquisições

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

Sim, eu sei que estou sumida há um booooommmmm tempo, porém, minha vida anda muito corrida. Aliás, corrida demais para uma mulher desempregada! 😱

A propósito: no último final de semana, eu fiz uma lista um tanto curiosa. Primeiro eu escrevi todas as instâncias com as quais estou envolvida (partido, corrente, coletivos e ativismos). Só aí, cheguei a 10! Percebam que não levei em consideração a esfera pessoal...

Feito isto, eu listei todas as responsabilidades que tenho em cada uma destas instâncias. Sinceramente, não tive coragem de contar... O fato é que o documento no Google Drive teve mais de uma página...

Vocês devem estar se perguntando porquê fiz isto. A razão é simples: eu precisava descobrir o que anda consumindo tanto o meu tempo. 

É claro que a isto precisa-se acrescentar as visitas semanais à psicóloga e as quinzenais ao Clínicas... 

Por isto, saibam que estou realmente falando sério quando digo que preciso consultar a minha agenda antes de assumir qualquer compromisso. Houve semana em que cheguei a ir até seis vezes a Porto Alegre! Não que os 40 km de trem realizados em 55 minutos entre Novo Hamburgo e Porto Alegre sejam um problema para mim. Eu simplesmente me acomodo em um lugar, escuto música, acesso Facebook, Instagram, e-mail e os mais variados sítios, além de aproveitar para ler um bom livro ou jogar "Geografia Mundial".

Por falar em livro, finalmente, concluí a leitura de "Gênero em Termos Reais", da pesquisadora transexual australiana Raewyn Connell. Aliás, o fiz isto de forma concomitante ao início de "E se eu fosse puta", da travesti, doutoranda em Letras, colunista do Mídia Ninja e prostituta Amara Moira. Aliás, em menos de uma semana já li 144 páginas... O certo é que não ficarei muito tempo sem uma nova leitura pois "Contos Transantropológicos", da minha amiga Atena Roveda, já está reservado.

Crédito: Bruno Dini (extraído do sítio da Hoo Editora)

Apesar da enorme agitação que anda minha vida, consegui tirar um tempinho para ir à Feira da Loucura por Sapatos, na Fenac, para a qual tive companhia da minha mãe. Esta feira é realizada duas vezes por ano (em abril e em setembro/outubro) sempre antecipando as estações que se avizinham. E eu a curto bastante pois é preciso se adquirir produtos de qualidade a preços bem em conta. Por exemplo, ontem eu comprei duas bolsas (uma cor-de-rosa da Raffithy e uma azul marinho da Carmona) e um sapato com um saltinho básico (sério, o salto não é muito alto, nem muito fino, então, a estabilidade e a manutenção do equilíbrio são bem tranquilas). Enfim... pelo menos, para alguma coisa deve servir na cidade em que se orgulha de forma saudosista em ser a "Capital Nacional do Calçado", não é mesmo? 😉

Bem, vou ficando por aqui. Espero voltar em breve.

💋

13/03/2017

Manhã de Experiências Inéditas

Olá, pessoal, tudo bem?

Tenho a leve impressão de que a semana que está se iniciando será tão, ou mais, agitada que a passada. A suspeita é proveniente da insana manhã que tive. Se não, vejamos.

Hoje era dia de sessão de grupo do Protig no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), logo, eu precisava levantar às 6 horas para tomar meu café da manhã, me vestir e me maquiar a tempo de pegar o trem por volta das 7 horas. Desta previsão, era preciso descontar de 10 a 15 minutos entre caminhada, compra de créditos para o Cartão SIM e subida até a plataforma de embarque. Apesar de ter chegado um pouco depois disto, minha chegada ao HCPA ocorreu dentro do programado. Ou seja: sem maiores incidentes ou atrasos.

Ao chegar na Zona 7, encontrei nossa colega que se submeteu à cirurgia de redesignação sexual (CRS) no início de fevereiro (isto é, entre a sessão única de janeiro e a de hoje). Confesso que nutria uma certa expectativa em relação de como seria a sessão de hoje justamente por conta disto e, em especial, pela situação inédita com a que me deparava, pois, até então, não havia tido colega do grupo que fora submetida à CRS. Enquanto aguardávamos pelo nosso horário, esta colega me mostrou duas fotos de sua neovagina (termo utilizado para a vagina de mulheres transexuais). Ela também me contou que, no caso dela, não sentiu dores pós-cirúrgicas. 

Quanto à consulta, naturalmente, por se tratar de sigilo médico, nada a declarar. Até por isto, cumpre ressaltar que destaquei com sublinhado o início da frase na antepenúltima linha do parágrafo anterior. Ou seja: para ressaltar que nossa conversa foi anterior ao ingresso na sala do grupo e, consequentemente, não está sob sigilo médico. Ainda assim, preferi preservar a identidade da colega. 👍

Finda a sessão, uma outra colega e eu decidimos pegar um ônibus até a Estação Rodoviária do Trensurb. Para a nossa surpresa, estação fechada. Ficamos sabendo que não haveria previsão de reabertura. Assim, ela decidiu retornar de ônibus para Canoas enquanto eu ligava para minha mãe para notificá-la do incidente. No princípio, meu plano era ir a um caixa eletrônico 24 Horas, sacar um dinheiro e seguir até o terminal interurbano metropolitano existente sob o Camelódromo com a intenção de voltar de ônibus para Novo Hamburgo. A ideia fracassou com sucesso ao me dar conta de que não estava com, nem lembrava da, combinação alfanumérica necessária para efetuar o saque e ao confirmar com minha mãe que a gaveta da escrivaninha onde eu guardo o tal comprovante estava devidamente chaveada, sendo que eu estava com a chave...

Com fome, resignei-me e decidi lanchar na Bella Gulla. Quando entrei, a garçonete logo comentou se lembrar de mim. Disse-me que se recordava de mim porque das outras vezes que estive lá sempre fui muito gentil e que clientes assim são marcantes. Após esta breve conversa, questionei-lhe se aceitavam cartão da marca Ello, pois, tinha consciência de que não teria dinheiro suficiente caso não aceitassem... Com sua resposta positiva, fiz o pedido que contemplou a troca da maionese por margarina (sim, eu odeio maionese! E, neste caso, posso afirmar categoricamente, pois já tentei comer torrada com maionese e eu realmente odiei!) em minha torrada (queijo quente)

Aproveitei o tempo para descobrir se haveria previsão de reabertura das estações. Acessando a página do Trensurb no Facebook, descobri que deveria ser ao meio-dia. Assim, decidi ler um pouco de "Gênero em Termos Reais", da pesquisadora australiana transexual Raewyn Connell. 💖

Alguns minutos antes da reabertura, desloquei-me até as proximidades da estação do Trensurb. Não demorou para que uma moça se aproximasse de mim e começássemos a conversar sobre a situação (a ocorrência foi uma avaria na rede aérea de energia de tração). Para mim, se tratava de uma novidade, pois, nos diversos anos em que uso metrô entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, jamais havia acontecido comigo.

Enquanto conversávamos, um senhor nos pediu para que o avisássemos quando a estação reabrisse. Compreensível, afinal, tratava-se de um deficiente visual. Demos toda a atenção para ele. Quando a estação reabriu, pouco depois do horário previsto, ele pediu para que uma de nós o auxiliasse na descida da escada, no que me prontifiquei. Mais uma vez, estava perante uma experiência inédita. Como nunca havia enfrentado tal realidade, foi necessário que ele me explicasse como ajudá-lo. Então, o conduzi próximo a uma das catracas da estação e chamei um segurança metroviário para continuar a auxiliá-lo, visto ser necessário por conta das normas do Trensurb.

Um pouco antes deste senhor descer, outra situação fora do comum (para não repetir "inédita"): após uma freada brusca do trem, eu deslizei em direção ao senhor por conta do fato de estar usando legging. Assim, para retornar a posição inicial, precisei apoiar minha mão direita na base inferior do banco. Nisto, um rapaz ao meu lado puxou conversa comigo e me perguntou se eu era casada... Como este rapaz desceu na mesma estação do senhor deficiente visual, ele me passou seu contato e eu fiquei de lhe enviar uma mensagem (Vocês devem estar se perguntando se já enviei a mensagem. Ainda não, pois, não me decidi se devo ou não fazê-lo. E não tem relação com a questão de que mulheres, em tese, não podem tomar a iniciativa, mas sim porque desconfio que o rapaz não se encaixe no meu perfil).

Enfim... esta foi apenas a manhã do primeiro dia útil da semana que se inicia... O que mais será que vem por aí?

💋

12/03/2017

Lembranças da Infância (ou Segredos Sigilosos)

Olá, pessoal, tudo bem?

Na semana que passou me questionaram a respeito de uma boa lembrança de infância. Como resposta, devido a circunstância, ser um programa ao vivo, falei que foi a de entrar numa casinha que existia no pátio da casa do sócio de meu pai construída para a então única filha dele. Tratava-se de uma casinha com características femininas, inclusive para brincar de boneca. E lembro que certa vez cheguei a entrar lá e aquilo me fez sentir uma paz muito grande.

Ocorre que isto me fez rememorar o contato com dois livros que tive quando éramos criança. Eis a imagem da capa de ambos, abaixo:

Livros de educação sexual infantis dos anos 1980

"De onde viemos?" tratava a respeito exatamente disto, ou seja, como as crianças eram geradas; "O que está acontecendo comigo?", por sua vez, versava sobre a evolução da fase de criança para a adolescência, sobretudo o desenvolvimento dos caracteres sexuais primários e secundários. Aliás, como diria Daniela Andrade, "olha que interessante", não foi o contato e a leitura com estes livros que me tornou uma pessoa transexual! Se bem que, "O que está acontecendo comigo?" fez com que eu me questionasse da razão pela qual eu não tinha já nascido menina porque, mesmo naquela época, eu desejava ter uma vagina e não um pênis.

O mais triste hoje é ter consciência de que, naquela época, não se tinha acesso às informações necessárias para adquirir o conhecimento de que se submeter a um processo de transição era uma possibilidade. E há duas razões para isto. A primeira é de que, nos anos 1980, a internet sequer existia no Brasil de forma comercial; a outra era de que, não apenas por isto mas também devido a cultura e aos costumes da época, não se falava em transexualidade. Quando muito se englobava num caldeirão junto à homossexualidade - que nos anos 1980 era a suposta responsável pela disseminação da AIDS. Ou seja: de qualquer forma, eram tempos sombrios no que concerne às discussões de gênero e sexualidade. Tanto assim que, em verdade, o objetivo de ambos os livros não guardavam quaisquer similaridades com o malfadado kit Escola Sem Homofobia, vetado por Dilma Rousseff, em 2011, após ter se curvado à chantagem da Bancada Fundamentalista em troca de apoio por governabilidade.

Portanto, hoje em dia, sei que já naquela época eu poderia ter me reconhecido uma menina transexual. Entretanto, reitero, como não se falava a respeito, acabei acreditando que jamais seria possível me submeter à uma transição de gênero. Assim, acabei me conformando com o fato de que teria que me desenvolver como menino. 

Outra lembrança que tenho de minha infância é de acompanhar minha mãe a banheiros femininos públicos - como até hoje os filhos menores o fazem. Recordo-me, apesar da distância temporal, que eu me sentia bem e confortável. Porém, quando, certa vez, mais crescidinho (1ª ou 2ª série do Ensino Fundamental), me pegaram dentro do banheiro feminino do Colégio Santo Antônio (CSA), em Estrela (RS), e me disseram que eu precisava usar o banheiro masculino, eu fiquei muito chateado. Porém, mais uma vez, eu me conformei e passei a frequentá-lo.

O que se pode tirar destes exemplos? Que as pessoas jamais devem se conformar com as tentativas de imposições de estereótipos por parte de outras pessoas. Jamais permitam que alguém diga para vocês quem vocês são e quem vocês devem amar! A vida de vocês pertence única e exclusivamente à vocês! Vosso corpo, vossas regras! E o mais importante: sejam felizes! Para encerrar, na minha opinião, só a autenticidade leva à felicidade!

💋

10/03/2017

Uma Semana (Muito) Intensa

Olá, pessoal, tudo bem?

Comigo, fora o fato de a semana estar muito corrida, está tudo ótimo! Por isto, quero atualizar vocês sobre as novidades.

No início da tarde de segunda-feira, participei do programa "Divas No Ar", da Rádio ABC 900, aqui de Novo Hamburgo, juntamente com a coordenadora de políticas públicas de São Leopoldo, Joseli Troian; a jornalista e integrante do coletivo Gemis, Pâmela Stocker; e a integrante do coletivo Afro-juventude, Lucilene Athaide. O programa foi ao vivo e teve duração de uma hora.

De lá, Pâmela e eu seguimos para Porto Alegre. Assim que desembarcamos na estação final, seguimos para o Mercado Público (não por acaso, a estação também se chama Mercado), onde ela queria fazer algumas compras. Nossa separação ocorreu somente na Esquina Democrática, pois, de lá, segui para a sede estadual do PSOL, onde auxiliei minhas companheiras do Juntas na produção de material para o ato do 8M.

Porém, na verdade, o que me fez suspeitar de que minha semana seria muito agitada foi um telefonema enquanto estava tomando banho. Quando atendi meu celular, a pessoa se identifica como sendo a "Camila, da Unisinos FM". O choque foi tamanho que em um primeiro momento não conectei o nome à pessoa. Apenas após alguns segundos, quando a ficha já tinha caído, é que eu respondi: "Ah, oi, Camila!" Foi quando recebi o convite para conceder uma entrevista no "Atômica", programa no qual ela abre muito espaço para discussões sobre gênero e sexualidade. Acertamos que a entrevista seria na quarta, às 10:15, com a minha presença no estúdio da rádio, no campo da universidade onde estudei.

Cortemos para a noite de terça-feira quando recebi outro telefonema surpresa. Desta vez, a interlocutora era ninguém do que a vereadora de Porto Alegre, Fernanda Melchionna, me convidando para ser homenageada pelo seu mandato na Câmara Municipal de lá por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Bem, chegou a quarta-feira. Adentrei o corredor da TV e Rádio Unisinos. Apresentei-me à produtora do programa, a Laura Pavesi, que me conduziu ao estúdio. Após minha primeira participação ao vivo em um programa de rádio, chegara a vez da minha primeira entrevista ao vivo. Apesar de um certo nervosismo por conta do ineditismo da experiência, considerei ter ido bem. Porém, saí ciente de que poderia ter ido melhor. Aproveitei a oportunidade de ter conhecido uma pessoa por quem tenho muito apreço para registrar nosso momento, que segue abaixo:

Com a locutora do "Atômica", Camila Kehl.
Após a saída do estúdio, entreguei um exemplar da Cartilha das Mulheres do PSOL. Então, ela me conduziu até a saída da Unisinos FM e eu segui para a Fratello, onde fui aguardar a chegada de uma amiga para almoçarmos juntas. Quando a Laura chegou, eu já havia comido um super pão de queijo e bebido uma lata de Coca-Cola... De lá, fomos para o Restaurante Universitário. Conversamos bastante durante o almoço, em especial, sobre meus péssimos hábitos alimentares. Depois do almoço, ela me acompanhou até a saída principal da Unisinos, onde ficou aguardando comigo pela chegada do ônibus circular que me levaria até a Estação Unisinos da Trensurb.

Então, continuei minha viagem para Porto Alegre, onde cheguei com uma folga tranquila e aterrissei no gabinete da vereadora Fernanda Melchionna. A Paola e a Raquel, assessoras da Fernanda, me conduziram ao plenário. Logo na abertura dos trabalhos, houve a posse de três vereadoras suplentes do PT, a fim de que a bancada partidária ficasse 100% feminina. Na sequência, abriu-se a oportunidade para que cada uma fizesse um discurso de cinco minutos. Entretanto, uma delas, estourou bem estourado este tempo. Depois disto, o presidente da Câmara de Vereadores, Cássio Trogildo (PTB), passou a condução dos trabalhos para Mônica Leal (PP). Se não me falha a memória, de imediato, ela procedeu o convite para que as homenageadas se acomodassem à Mesa Diretora. 

Sentada à Mesa Diretora (crédito: Raquel Matos)
Após algumas vereadoras terem feitos seus discursos e homenagens, eis que chegou a vez da Fernanda Melchionna. Seu discurso emocionante, me levou às lágrimas. Assim que ela desceu da tribuna, veio até minha direção e me entregou um presente: um lenço indiano estampado com caveiras. Muito lindo! 💗 Também registramos o momento:


Com a vereadora Fernanda Melchionna (crédito: Raquel Matos)
Para encerrar a quarta-feira, ainda participei da marcha do 8M cuja saída foi na Esquina Democrática e seguiu-se até o Palácio da Matriz (onde entoamos "Desocupa aí/Sartori, pede pra sair!). Lá, decidiu-se caminhar até o Largo Zumbi dos Palmares (no cruzamento da av. Loureiro da Silva com a r. José do Patrocínio). À esta altura, entretanto, não tinha mais pernas para seguir. Assim, quando chegou-se na av. Borges de Medeiros, ao invés de seguir com a marcha, decidiu rumar até a Estação Mercado para voltar para Novo Hamburgo.

Já em casa, não tardou para que eu caísse na cama, pegasse no sono e acordasse por volta das duas da manhã com televisão, notebook e ventilador ligados. Desliguei tudo e voltei para cama. Nisto, esqueci de tomar o hormônio e os dois comprimidos do anti-convulsivo. Felizmente, nada aconteceu!

Na quinta-feira, foi a vez de eu ir novamente a Porto Alegre. Desta vez, para consulta com a psicóloga. Como de costume, nada a declarar.

Enfim, na sexta-feira, fui ao câmpus de Sapucaia do Sul do IFSul para participar de uma atividade referente a Semana da Mulher. Na ocasião, apresentei-me como militante do Juntas e estive com militantes da UJS, Kizomba e Ocupação Mirabal conversando com estudantes do IFSul. Muitas lésbicas e bissexuais por lá; por outro lado, eu era a única pessoa transexual. A conversa foi realmente muito produtiva e, como não poderia deixar de ser, serviu para ampliar os horizontes.

Assim que cheguei em casa, fui pagar contas, comprar bananas para a minha mãe e passar na padaria. Meu dia se encerrou com a ida a um consultório para buscar receitas de medicação controlada.

Depois de tudo isto, desisti de ir ao show dos Titãs no Opinião por falta de condições físicas, pois, pasmem, estava sentindo muitas dores na planta dos pés. Aliás, nunca havia sentido uma dor assim neste legal sobretudo porque, enquanto aguardava atendimento na padaria, eu precisei ficar com os calcanhares no ar pois não suportava a dor!

Bem, esperemos que a próxima semana seja um pouco mais light...

💋

03/03/2017

Porto Alegre e Banho na Academia

Olá, pessoal, tudo bem?

Comigo, tudo muito tranquilo. Ontem, o dia foi muito agitado, especialmente, a tarde. Mas foi realmente muito bacana. Foram três compromissos em Porto Alegre. A respeito do primeiro, tudo o que posso dizer, por enquanto, é que vem coisa boa por aí! Aguardem até domingo ou, no máximo, segunda e acompanhem meu Facebook, que irei fazer um compartilhamento bem legal!

Na sequência, fui para a minha consulta com a psicóloga. Cheguei, e saí de lá, em um estado de euforia extrema, ainda que, mais cedo, eu tivesse recebido uma notícia ruim... Por fim, fui até o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), onde participei de duas reuniões referentes ao 8M Porto Alegre, evento que ocorrerá na próxima quarta-feira por conta do Dia Internacional das Mulheres.

Se ano passado participei, pela primeira vez, de uma marcha de mulheres, este ano, meu envolvimento é bem maior. Para a alegria das feministas radicais - só que não - estou inserida de forma bem mais direta, tanto que participo da Comissão de Comunicação.

 Já o meu dia de hoje foi bem mais tranquilo. Apenas fiz uma rápida visita à uma amiga, fui ao mercado e lavei a louça. Pretendia ir à academia, mas desisti, pois desabei de cansada. Sim, porque, devido ao agito de ontem, e à noite mal dormida, fui vencida pelo cansaço. Além disto, caiu uma forte chuva por aqui no final da tarde...

Por falar em academia, gostaria de fazer um comentário que, para vocês, pode parecer bobo, irrelevante, insignificante e que, muito possivelmente, nem deveria merecer ser comentado aqui. Porém, para mim, o relato a seguir é impregnado de significado, pois trata-se de uma vitória particular.

Quarta-feira, estive duas vezes na academia. A primeira para fazer a reavaliação com a minha instrutora. Durante o processo, conversamos a respeito da socialização. Lembrei-a de que, quando me inscrevi não havia colocado a socialização como um dos objetivos de frequentar o ambiente. Entretanto, com o passar do tempo, isto foi ocorrendo de forma natural. Minha instrutora, então, comentou que não haveria razão para não ser assim apenas pelo fato de eu ser uma mulher transexual.

Enfim, a observação dela me encheu de confiança. Foi, assim, que, pela primeira vez, eu decidi tomar banho na academia, por livre iniciativa. Até então, havia tomado banho lá em duas ocasiões, mas em ambas por razão de falta de luz em casa e devido a necessidade de ir a Porto Alegre na sequência para reuniões políticas.

Bom, mas quando eu entrei no vestiário para tomar meu banho, havia uma garota terminando de se vestir - na verdade, faltava apenas vestir a calça. Ainda assim, me virei de costas para ela e comecei a me organizar para o banho. Peguei tudo o que eu precisava e comecei a me despir. Estava sozinha. Tirei o meu sutiã. Só de calcinha, entrei no box. Recém havia tirado o shampoo do cabelo, quando a luz caiu. Nisto, já havia uma outra guria dentro do vestiário. Após a primeira tentativa de retorno da luz, eu fiquei com receio, devido ao que considerei ser um clarão. Por isto, enrolei a toalha na altura da cintura, pois já estava sem calcinha, e saí do box.  A guria estava de costas para mim e sem blusa; eu, com os seios nus. Como me senti? Muito confortável.

De qualquer forma, é crucial ressaltar que, se entrei de calcinha no box, o fiz por duas razões: a primeira é que, no momento, este é o meu limite; e segunda, apesar de eu não ter a menor obrigação em dar satisfação a respeito do órgão genital que (ainda) carrego entre as pernas, é por consideração e, acima de tudo, respeito às outras alunas da academia. Sinceramente, não há razões para se criar polêmica. E eu, tampouco, não tenho o menor interesse nisto.

Naturalmente, após a cirurgia de redesignação sexual, a situação poderá se alterar. Até porque não haverá mais qualquer espécie de problema, nem, tampouco, vergonha da minha parte.

💋

28/02/2017

Academia, Revolução, Oscar, Fonoaudiologia e Agradecimentos

Olá, pessoal, tudo bem? 

Como vocês já devem ter percebido, enfrento uma fase de total improdutividade no que se refere à atualização do blog. Isto é resultado de falta de tempo, tensão, ansiedade e uma certa frustração. 


Antes de mais nada, quero ressaltar que a situação só não está pior por conta das minhas consultas semanais com a minha extraordinária psicóloga e à rotina de treinos na academia. Basicamente, são os maiores suportes que venho tendo. Há, é claro, boas notícias. Porém, me reservo o direito de mantê-las, por enquanto, em segredo. Mas estou bem confiante de que dará tudo certo! 


Bom, mas o fato é que preciso escrever um pouco. Antes de mais nada, estou ansiosa com a reavaliação que farei na academia amanhã. Incrivelmente estou completando três meses de treinos e, além disto, com resultados visíveis. Agora, quero constatar isto de forma concreta. Acredito ter perdido peso e um pouco de abdômen; por outro lado, é possível que eu tenha tido um acréscimo de glúteos...


No sábado, eu fiz uma revolução em meu quarto por conta do afundamento de uma gaveta da cômoda onde se encontra o aparelho de som. Assim, foi preciso remover a gaveta, pregar o fundo e, posteriormente, alterar seu conteúdo de papeis para roupas de primavera/verão. Aproveitei para, na gaveta abaixo, pôr as de outono/inverno. Já nas gavetas menores, que ficam no primeiro andar, na da esquerda continuam as calcinhas e na da direita, os sutiãs. Também removi a torre com os CDs que ficava ao lado da cama e transferi todos para a primeira prateleira do armário ao lado da televisão; na segunda prateleira, agora estão os catálogos da Rola Moça, datelli, Ana Hickmann, Rabusch, Raffithy e outras marcas; a terceira prateleira contém pastas e cadernos; a quarta e a quinta estão vazias; na sexta, se encontram todas as peças de roupas fitness e, por fim, na última, os pijamas. Além disto, eu medi a largura de dois bidet, o que me levou a trocá-los de lugar a fim de acomodar melhor a impressora. Ufa! Para levar a cabo toda esta revolução, dediquei cerca de cinco horas de trabalho! Porque não era simplesmente trocar as coisas de lugar. Era preciso que ficasse prático e funcional.

Quanto ao domingo, nada de útil. Minha maior diversão, aliás, foi acompanhar a gafe histórica do anúncio equivocado de melhor filme para "La La Land" quando, na verdade, o vencedor foi "Moonlight". O crítico de cinema Rubens Ewald Filho comentou na transmissão da TNT que tal incidente jamais havia sido registrado na História do Oscar!

Já no dia de ontem, a minha grande vitória foi ter realizado as cinco sessões de treinamento vocal solicitadas pela fonoaudióloga do HCPA. Eu realmente preciso firmar este compromisso em definitivo comigo, pois, ontem mesmo, ao atender o telefonema de um desconhecido, este se referiu à mim como "senhora".

A este propósito, gostaria de destacar um comentário de uma amiga que recebi em uma postagem em meu perfil pessoal no Facebook:


"A cada avanço seu, a cada conquista sua, eu sinto mais orgulho de você. Uma mulher forte, guerreira e que mesmo enfrentando não apenas batalhas externas, mas internas também, sempre carrega um sorriso no rosto. Parabéns pelo exemplo de mulher que você é Lu, não só pra mim, mas pra uma legião inteira!" 

Ou quem sabe este agradecimento que recebi em uma postagem de uma outra transexual:

"Quero Agradecer A Luiza Eduarda Dos Santos por sua mente brilhante e Eterno Carisma E Sua Gentileza em Divulgar suas idéias e entre outras eu sou sua fã!!!"

É nestas horas que me assusto com a dimensão que as coisas tomaram. Na minha cabeça, desde o princípio, eu sentia que precisava defender a causa LGBT. Minha pretensão jamais foi além disto! Então, quando recebo um feedback destes, eu, sinceramente, me surpreendo. Sei que não deveria, pois, ultimamente, tem sido cada vez mais frequente eu ler e, principalmente, ouvir comentários semelhantes, mas quem sou eu perto de Daniela Andrade, Maria Clara Araújo, Mandy Candy,  Luiza Coppieters ou Indianara Siqueira? Elas estão a anos-luz de distância de mim! Por isto, eu procuro manter a humildade e continuar trabalhando em prol de todas as siglas da comunidade LGBT. Até porque possuo amizades em todos os espectros da sigla e além, pois tenho, ao menos, duas amigas pansexuais.

Enfim, quem me conhece sabe que eu não sou de fazer isto, mas, desta vez, resolvi abrir esta exceção, pois, gostaria de agradecer imensamente pelo carinho que não apenas elas, mas que diversas pessoas têm por mim!

E eu reitero meu compromisso não apenas em defesa da causa LGBT, mas do feminismo, da democratização da mídia, da laicidade do Estado, da saúde e da educação. Sem estes seis elementos, o destino da sociedade brasileira, certamente, será sombrio...

Por isto, mais uma vez, muito obrigada a todes!

💋

15/02/2017

Pitty: Um Caso de Amor

Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

Conforme prometido, irei lhes contar a respeito de como me apaixonei pela Pitty. Até onde me recordo, meu primeiro contato com ela foi em um programa "Altas Horas", o qual assisti apenas por causa da Anitta, uma vez que àquela época não tinha o hábito de vê-lo. E, sim, eu era muito fã da Anitta. Entretanto, naquela ocasião, houve um perrengue entre as duas. Tudo começou com um comentário da Anitta afirmando que homens e mulheres estariam recebendo os mesmos salários e tal... Após a conclusão de Anitta, Pitty divergiu e disse "Nós não temos os mesmos direitos, nós não ganhamos os mesmos salários". Anitta tentou remendar: "Mas nós chegamos quase...". Foi, então, que a Pitty retrucou de forma lacradora: "Mas quase não é lá"! 

Altas Horas: Pitty x Anitta


O episódio serviu para que eu perdesse meu encanto pela Anitta. Porém, em relação à Pitty, não houve qualquer interesse maior. Então, no ano passado, foi anunciado que no início de abril haveria uma curta apresentação da Pitty, em Porto Alegre, dentro de uma turnê com diversas personalidades do rock brasileiro patrocinada pela Nívea. Dias antes do evento, Pitty anunciou estar grávida e que, por recomendação médica, não poderia se fazer presente.

Desta vez, fiquei com a minha curiosidade atiçada e fui atrás de músicas da Pitty. E quando parei para escutar... nossa... eu entrei em êxtase! Desde então, minha principal trilha sonora é Pitty. Ela me acompanha, sobretudo, quando eu tomo banho e quando eu viajo de trem entre Novo Hamburgo e Porto Alegre e vice-versa. Definitivamente, eu me viciei em Pitty!

E não são poucas as músicas que me tocam. O discurso feminista impregnado nas letras de Priscilla Novaes Leone, mais conhecida por Pitty, não só me encantaram como auxiliaram no meu empoderamento.

Um exemplo é "Desconstruindo Amélia". Inspirada em "Ai, que saudade da Amélia", composta por Mário Lago (sim, o ator!), a letra de Pitty busca desconstruir o sexismo escancarado por trás de um conceito da existência de uma suposta "mulher de verdade". Um trecho muito representativo, em minha opinião, é 

"Disfarça e segue em frente
Todo dia até cansar (Uhu!)
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa, assume o jogo
Faz questão de se cuidar (Uhu!)
Nem serva, nem objeto
Já não quer ser o outro
Hoje ela é um também"

Até porque é este o trecho em que ela refuta de modo enfático todo o discurso patriarcal contido na letra escrita por Lago. 

Outras músicas que aprecio muitíssimo são "Comum de Dois", "Fracasso", "Equalize", "Me Adora", "8 ou 80", "Déjà Vu", "Semana que vem", "Só agora", "Serpente", "Quem vai queimar?" e "Se você pensa".

Bem, estas são as músicas das quais mais gosto e que contribuem de forma significativa para que eu tenha ficado viciada na Pitty.


Antes de encerrar, dois registros ainda são necessários serem feitos. O primeiro é de que estou ansiosa pela estreia da nova temporada do "Saia Justa", na GNT, em 8 de março (casualmente no Dia Internacional das Mulheres). Afinal, a Pitty passará a fazer parte do elenco de debatedoras do programa, após Maria Ribeiro e Bárbara Gância terem sido demitidas ao final da temporada passada por conta de uma séria discussão entre elas nos bastidores.


O outro comentário é que aguardo, com certa ansiedade, confesso, o retorno aos palcos da Pitty, para que eu possa ver um show dela em Porto Alegre.


👄

09/02/2017

Minhas Economias, Sutiã, Pitty e You Tube

Olá, pessoal! E aí, tudo bem com vocês?

Na noite de ontem tomei a iniciativa de atualizar as transações em minha conta do Minhas Economias (aliás, super indico este sítio pois, além de ser completíssimo, é inteiramente gratuito!). Então, já pude ter um panorama melhor das finanças porque ontem havia me batido o piriri e eu tive a quase convicção de que faltaria dinheiro para o fim do mês... Felizmente, eu "viajei"!

Agora pela manhã, resolvi imprimir os relatórios mensais para ter um maior controle e fazer uma análise mais detalhada de por onde escoa o dinheiro. Ao que tudo indica, este mês será possível fazer alguma coisa de diferente, tipo um investimento em vestuário ou o começar a quitar a única dívida que ainda não tratei de tomar alguma providência concreta.

Gostaria também de comentar sobre a "experiência" de ter usado sutiã por dois dias seguidos esta semana. Gente, sério, que troço mais bizarro! Agora que já fui curada deste vício imposto pela sociedade patriarcal com o intuito de esconder nossos mamilos, sou obrigada a concordar com uma ruma de amigas feministas: sim, é muito incômodo usar sutiã. Senti-me desconfortável e com os movimentos limitados. E mais: até certo ponto, senti-me humilhada! 

Mas por que eu usei sutiã por dois dias? Bem, esta semana eu tinha agendada uma sessão de depilação a laser das axilas, entretanto, a "heroína" aqui confundiu os horários. Assim, eu fui bem bela e feliz para o shopping quando, na verdade, eu deveria estar há algumas quadras dali. Só me dei conta do equívoco quando me disseram que a depilação seria no dia seguinte... Então, como estava sem tempo só peguei o carro e fui fazer o design da sobrancelha. Aí, sim, no outro dia, fiz a depilação a laser das axilas. Desta forma, como preciso tirar a blusa para fazer a depilação, considerei por bem usar sutiã.

Outra coisa. Com relação ao blog, eu vou passar a ampliar um pouco a temática dele. Por exemplo, já decidi que a próxima postagem será sobre o meu vício pela Pitty. Contarei como começou, quais são as minhas músicas favoritas e de que forma elas me tocam. Sim, porque Pitty me toca muito! 💘

Além disto, estou recolhendo sugestões para meu canal no You Tube. O que gostariam de me perguntar? O que gostariam de saber? Mas não demore para me enviá-las pois pretendo gravar, e publicar, o vídeo até amanhã.

A propósito do canal decidi/percebi que deve ser uma extensão do blog. Assim, irei renomeá-lo para A Arte de Ser Luiza. 

Ah, e não esqueça de curtir, comentar, seguir, dar like... enfim, interagir.

👄

08/02/2017

Alguns Desabafos Necessários

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês?

No texto de hoje escreverei sobre um encontro casual com uma amiga defronte à uma cervejaria artesanal próximo ao nosso local de vizinhança (ela trabalha em uma loja de noivas defronte à casa onde moro).

Ela logo percebeu que eu estava triste e engatamos uma conversa (que durou cerca de uns 20 minutos). Entre outros tópicos, conversamos acerca deste humilde blog para o qual ela, como leitora assídua, estimulou-me a aperfeiçoá-lo. Ainda mais depois de lhe ter mostrado alguns números e a lista de todos os países em que já identifiquei acessos (são mais de 50 em todos os continentes!).

Mas o que não comentei foram as razões pelas quais estava tristonha. Então, aqui seguem algumas explicações pertinentes sobre o que vem atormentando o âmago de minha pessoa.

A principal delas, das quais decorrem todas as outras, é que, como qualquer terráquea, preciso de dinheiro, bufunfa, do "faz me rir", pois, infelizmente, vivemos em uma sociedade capitalista na qual nossa sobrevivência depende do vil metal e seus derivados. Como eu sei que, em breve, terei uma desmonetarização, precisarei captar recursos financeiros de outra forma.

Daí, partimos para as questões que estão inter-relacionadas. As mais imediatas dizem respeito às continuidades da academia, das sessões com a psicóloga e da manutenção do design da sobrancelha. A coisa só não será pior pois já me programei de modo a quitar os honorários da advogada que contratei para uma ação judicial com um mês de antecedência ao acordado. Por isto, pelo menos, quanto a este aspecto, estou tranquila.

Porém, não são apenas as ameaças a continuidades de determinadas ações que me incomodam. Minhas limitações evolutivas também. Bem, mas o que seriam tais "limitações evolutivas"? Por mais que meu grau de "passabilidade" esteja elevado (e eu pude constatar isto de forma inequívoca no final de semana), minhas dificuldades em ampliar meu guarda-roupa, andar decentemente de salto alto, ter um relacionamento amoroso estável com um homem, além da estabilidade financeira decorrente de um negócio próprio (jornalismo freelancer).

Enfim, trata-se daquela eterna sensação de que jamais conseguirei alcançar o grau de feminilidade que desejo para mim (apesar do, de novo, meu alto grau de "passabilidade"). Associa-se ao mencionado no parágrafo anterior, por exemplo, os atributos físicos de uma mulher com a qual eu deseje fazer comparação e a situação se agravará mais um pouco. Por outro lado, alertaram-me de que não deveria fazer tal ilação, pois trata-se de uma espécie de desonestidade com ambas as partes devido, sobretudo, ao fato de cada qual possuir uma trajetória diferente. Ou seja: somente isto já seria insuficiente para impedir qualquer comparação.

Assim, meu eterno incômodo comparativo entre os meus seios e os de outras mulheres, especialmente os daquelas que possuem uma "comissão de frente" avantajada cai por terra. É claro que, para que isto seja totalmente rechaçado, o mais recomendável seria a colocação de silicone o quanto antes. Mas sabe-se lá quando isto ocorrerá... 😟

Enquanto isto, precisarei me manter forte psicologicamente para vencer as batalhas diárias e continuar contribuindo com a militância LGBT, tanto política quanto ativísticamente.

👄

06/02/2017

Porquê decidi alterar a Data de Aniversário

Olá, pessoal, tudo bem?

Por volta de uma hora da manhã, postei, em meu perfil do Facebook, um comunicado a respeito de minha decisão de alterar a data de comemoração do meu aniversário. Agora, explicarei aqui de forma mais detalhada porquê fiz isto.

A maior parte das pessoas mais próximas a mim, ou com as quais mantenho contato eventual, sabe que a Luiza surgiu em uma tarde de 18 de dezembro, em uma loja Top Marcas, na esquina da David Canabarro com a av. Pedro Adams Filho, bem em frente à praça do Imigrante (mais conhecida por seu apelido "Praça das Pombas", apesar de não haver mais o pombal que foi retirado por questões de saúde pública). Foi neste local em que ocorreu o evento necessário para que eu, enfim, me libertasse. Havia eu ganho um dinheiro para comprar, de forma antecipada meu presente de Natal, que deveria ser uma bermuda (masculina, é claro). Porém, após descrever para a vendedora, o que eu procurava, ela teve a presença de espírito de me sugerir que eu provasse uma calça jeans feminina! Infelizmente, não lembro seu nome, mas sua iniciativa mudou a minha vida! E eu serei eternamente grata à ela!

Desde então, sempre considerei 18 de dezembro como uma data muito importante em minha trajetória de vida, afinal, trata-se de um divisor de águas. Inclusive, poderia traçar um paralelo com o suposto nascimento de Jesus, que serve como referência para as datações do calendário gregoriano, e determinar que estaria vivenciando meu ano de 7.d.T.M. (7 depois da Top Marcas). E escrevo isto para que vocês tenham uma dimensão da importância de 18 de dezembro para mim.

Assim, de maneira informal, eu sempre tive esta data como equivalente a de um segundo nascimento. Então, tudo o que fiz, foi alçar 18 de dezembro à uma condição mais privilegiada mesmo sabendo que, junto aos registros públicos, não conseguirei fazer prevalecê-la. Mas, como comentou uma amiga no Facebook, "A vida é muito mais que papeladas!"

Beijocas.

PS: Para quem ficou curiose, apesar de eu ter experimentado a calça jeans feminina, e amado, para não evitar brigas prematuras em casa, acabei comprando uma bermuda masculina...

05/02/2017

Trocando a Noite pelo Dia...

Olá, pessoal, tudo bem com vocês?

Meu final de semana tinha tudo para ser monótono e comum. Sem emoções. Ledo engano... Mal podia imaginar que, na noite de sexta-feira, uma amiga fosse praticamente me intimar para comparecer à sua formatura. Como o evento era aqui em Novo Hamburgo, o planejamento era relativamente simples. Decidi que o melhor a fazer seria ir de táxi e deixar o carro na garagem por questões de segurança, uma vez que a recepção seria num restaurante no Centro da cidade. Mas havia outras decisões a serem tomadas: vestido e sapato.

Vasculhando em meu armário, descobri um vestido preto que serviria como uma luva para a ocasião. Com relação ao sapato, como estou sem scarpins no momento, a solução encontrada foi usar uma sandália de salto. Felizmente, tal recurso foi possível porque havia resolvido fazer as unhas do pé durante a semana!

Então, pouco antes de começar a me arrumar, decidi investigar se o Uber já não estaria aceitando dinheiro para as viagens em Novo Hamburgo. Para tanto, entrei na página do aplicativo no Facebook e enviei uma mensagem. Não tardou para que me respondessem afirmativamente. Porém, na hora em que fui solicitar um veículo, não havia veículo algum disponível! Resignada, dirigi-me até o ponto de táxi próximo à minha casa e pedi para o motorista me levar ao restaurante.

Chegando lá, pedi à recepcionista pelo evento de minha amiga, identifiquei-me para os familiares já presentes como sendo uma amiga da formanda e me acomodei em um lugar à mesa. Eu havia escolhido a cadeira bem junto à janela, que, por infelicidade, era exatamente abaixo do ar condicionado. Após tomar algumas gotas d'água na cabeça, eu me sentei uma cadeira à direita. Algum tempo depois, chegou um rapaz bem bonito e que fez menção à sentar na cadeira exatamente abaixo do ar condicionado, mas do outro lado da mesa. Aconselhei-o a não fazê-lo e expliquei-lhe o motivo. Pronto. Agora, ele estava bem na minha frente... hehe... Aos poucos, começamos a conversar e percebi que ele não era apenas bonito, mas também simpático e muito bacana. 😍

Mais tarde, após a formanda ter jantado, fomos fazer fotos com ela. Finalizado o jantar, nós, a formanda e seu namorado prolongamos a comemoração indo ao Rock and Roll Bar e Sinuca, local em que nos conhecemos por ocasião do Festival Go Girrrls 2015. Estávamos por lá quando vi uma amiga do coletivo Bem Viados. Chamei-a. Nada, ela passou reto. Na volta, percebi sua surpresa em me ver ali. Elogiei seu cabelo, cuja cor ela modificou, e conversamos brevemente sobre a necessidade de reunir o pessoal e fazermos alguma programação. Aproveitamos para pedir-lhe que fizesse uma foto nossa:

Da direita para a esquerda: Gabi, Cícero, namorado da Drika, Drika, Eu e Léo (foto by Juliana Hennemann)

Seguimos no Rock and Roll até cerca de quatro da manhã, quando decidimos ir embora, passar nas Bancas (para quem não conhece Novo Hamburgo, esclareço que se tratam de diversas lancherias dispostas lado a lado em uma praça em uma das avenidas mais movimentadas da cidade) e seguir para a casa da formanda para beber e conversar. Bom, sei que viramos a noite e eu cheguei em casa por volta de umas 8:15 da manhã! Tentei me manter acordada até a hora do almoço mas não resisti. Precisei dar uma descansada básica antes de ir ao Garfão. Lá, pude constatar o quão acabada estava ao pesar meu prato quando o funcionário com o qual havia me encontrado na porta me disse, após cumprimentá-lo, que já havíamos nos cruzado quando eu entrara no restaurante!

Chegando em casa, telefonei para minha mãe, para saber se está tudo bem (afinal, ela está na praia com meu irmão e sua família), e disser-lhe que iria dormir pois havia chegado em casa "cedo", cedo da manhã... 😄😄

Em suma: fui dormir, de fato, depois das 13 horas e acordei por volta de 19:30...

Agora, a missão é regular o relógio biológico!

Beijocas.

04/02/2017

Registros, Academia e Narcismo

Olá, pessoal, tudo bem?

Gostaria, antes de mais nada, de fazer dois registros importantes. O primeiro deles é que o "A Arte de Ser Luiza"comemorou na quinta-feira 4 anos de existência! Muitas pausas, é verdade, inclusive com períodos em que eu simplesmente havido desistido de levar este blog adiante... Mas aqui estou escrevendo mais um "textículo"...

Quanto ao segundo registro, definitivamente, chocará todas as pessoas que acompanham este blog e/ou acessarem esta postagem. Também na quinta, o Facebook recuperou no link "Neste dia" uma foto minha de 6 anos atrás! Vejam bem: eu disse 6 ANOS atrás! Ou seja: aquela época, fazia pouco mais de um ano que eu havia me assumido, estava nos primórdios de minha transição e enfrentava dificuldades inimagináveis! Quando mostrei a foto em questão para minha mãe, ela ficou chocada! Bem, sem mais blá-blá-blá, eis a foto:

Sim, acreditem, esta era eu, a Luiza, há 6 anos...
Bom, eu suspeito que dei uma leve evoluída de lá para cá... Ah, é importante registrar que, até então, eu ainda não havia ingressado no HCPA, nem, muito menos, iniciado minha terapia hormonal. Assim, nada mais do que natural haver esta gritante diferença entre as Luizas do início de 2011 e do início de 2017. Além disto, há a questão familiar. Minha imagem visual só evolui de fato a partir da morte de meu pai no final de 2012. 

Além disto, é notável, mesmo pouco mais de dois meses de ter iniciado a academia, que minha barriga (a qual era mais do que indecente) já está bem mais discreta. Prova cabal disto é que há pouco provei um vestido curto, com fecho traseiro, e para o qual não necessitei de auxílio, pois foi perfeitamente possível vesti-lo por baixo. 😄

Mas não é apenas isto. A minha auto-estima, a cada dia que passa, está mais elevada, apesar das preocupações inerentes ao cotidiano. Consequentemente, estou me tornando uma mulher cada vez mais segura e que gosta de si mesma. Aliás, ando tão apaixonada por mim que, se fosse possível, transaria comigo. Como isto não é possível, só me resta me observar no espelho e me conformar com tal impossibilidade. Dir-me-ão que estou sendo narcisista. Sim, de certa forma. Porém, esta espécie de narcismo, além de ser saudável, não prejudica ninguém. Portanto, me deixem! 😊

Enfim, definitivamente, ao que parece, virão mais coisas boas ainda em 2017...

Beijocas.